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na periferia da cinelândia

Na coletiva de “Meu Nome Não é Johnny”

Coletivas são legais. Nelas é que se pode debater a respeito da produção de um filme, aproveitando pra entender como se faz cinema, falar sobre políticas públicas, e mais um monte de assuntos que surgem, e talvez até nem devessem surgir. Pra quem não sabe nada sobre o filme, pode dar uma olhada no site oficial ou no blog de João Estrella, o personagem que vivenciou a trama na escala do real.Em poucas palavras, o filme conta a história do carioca João Estrella e seu envolvimento com o consumo/revenda de ’substâncias ilícitas’. Isso no Rio-de-Janeiro-da-década-de-oitenta, que quer queiram muitos, quer não queiram outros tantos, foi o lugar e o período do surgimento de inúmeras bandas brasileiras posteriormente consagradas. Aliás, segundo Selton Mello, João é um músico que desviou-se do caminho, mas conseguiu reencontrá-lo.

A entrevista começa com equipe reduzida: Cléo Pires acabou participando apenas da sessão de fotos , saindo mais cedo devido à intensa rotina que tem envolvido o lançamento do filme (parece que a equipe esteve em São Paulo ontem).

Selton é simpático, brinca com todo mundo, mas parece tímido – ou cansado – a ponto de me deixar sem graça na hora de mirar a maquininha de retratos. Bom, mas ele deve saber como lidar com isso e vai falando enquanto alguns fotografam: de acordo com o que ele conta, seu envolvimento com a produção ultrapassou muito a relação de ‘ator’ e ele opiniou em alguns testes de elenco, sugeriu nomes e indicou o diretor. Mas deve ser fácil confiar na experência de Selton tanto quanto ele parece gostar de misturar-se no filme ‘até os ossos’, com perdão da hiperbóle. Ele aproveitou também pra confirmar sua estréia na direção, num filme chamado “Feliz Natal” e cujo protagnista será Leonardo Medeiros, que esteve bem na última vez que o vi.

Não, não! Dessa vez Selton disse que não atua.

Sobre um momento da produção que ele destacaria, cita a cena do julgamento, para qual solicitou uns minutos a sós com João, ouvindo atentamente o relato daquela situação. Ao gravar a cena, o ator disse não ter seguindo roteiro algum e sim se esforçado para relembrar a forma como João descreveu o momento, suas palavras, a emoção de estar diante de sua mãe, e o fato de ter acabado por transformar aquilo numa possibilidade de auto-reflexão sobre suas ações, e a cena acabou sendo gravada num take só. Ele enfatiza a força dramática dessa cena sinalizando-a como uma das mais importantes em sua carreira.

João Estrella também fala de importâncias: diz quão cansativo foi reviver essas emoções, fosse no set ou na primeira exibição pública do filme na qual ele esteve presente. Emocionar-se de novo e mais uma vez.

As pessoas atrapalham a coisa toda levantando questões contundentes, como perguntando pro Selton se ele estava’gordinho mesmo’ ou era só impressão ou ainda buscando comparações entre “Meu Nome…” e “Tropa de Elite”

A mensagem que os dois deixam pro final é clara e simples: Assitam cinema nacional!

Acho que é uma boa dica…

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