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na periferia da cinelândia

Archive for dezembro, 2007

A melhor série de 2007: Dexter.

não sei como isso acontece na casa das outras pessoas, mas o chamado ‘fenômeno Lost’ me fez voltar a assistir seriados com a comodidade de saber que não preciso perder nenhum capítulo simplesmente pq não preciso me ligar na grade de horários de nenhuma tv, seja ela aberta ou paga. (ok, eu sei que muita gente hoje em dia assisti seriados assim…)

enquanto Lost não começa sua quarta temporada e Heroes tá com uma trama bem mais-ou-menos, cheguei até o Dexter quase por acaso.

Dexter é o personagem-título dessa série que está em sua segunda temporada. a primeira é de 2006.

trata-se da vida de um policial especialista em análise de espalhamento de sangue em cenas de crimes (americanos ‘tiram leite’ de cada coisa, não?). adotado ainda pequeno pela família do detetive Morgan, Dexter sempre pareceu estar em cima da linha, na fronteira que divide o bem e o mal. aos poucos vamos descobrindo que o velho Morgan sabia de tudo e fez o pequeno Dexter se adaptar ao convívio social e utilizar ’sua potencialidade’ de maneira menos ruim…

… e ele se transforma num serial killer de seriais killers, ou de pessoas que matam por motivos, digamos, fúteis. não, não. revelar isso não estraga as surpresas do seriado.

Michael C. Hall , ator que interpreta o personagem-título (o mesmo intérprete do David de Six Feet Under), é um dos indicados ao Globo de Ouro por sua atuação na temporada 2007 e, apesar de não dar muito crédito a essas indicações e prêmios que são orquestrados pela própria indústria que fabrica filmes e séries, fiquei feliz em ver que eu não estava assim tão cega.

uma das forças da série é sem dúvida a interpretação de C. Hall e é fácil perceber que ele parece tomado por aquela ‘entidade’ chamada Dexter quando está em cena. e isso ajuda muito na credibilidade da coisa, na identificação com ele. aliás, inadaptados do mundo, convém assitir alguns episódios: como o personagem traz dentro de si aquele tesão pela morte e pelo sangue, e é óbvio que para ele sentar e tomar o chá das 5 não é tão simples como para muitos de nós. e ele vive entre se deixar levar pelos instintos ou tentar se enquadrar e ser um cara normal, ter uma vida simples. durante os episódios somos guiados pela narração do próprio personagem, que assim vai relevando suas angústias e suas reflexões.

ele se apresenta consciente do bem e do mal que causa, da responsabilidade com as pessoas que entram em sua vida. ele erra. ele tenta arrancar de suas vítimas algumas dicas que o ajudem a se enquadrar melhor sem deixar de ser o que é. ele está sempre em conflito consigo mesmo e isso é muito legal!

a interpretação, somada às reflexões de Dexter sobre a vida em sociedade, a alienação dos diferentes e à supervalorização de coisas estupidamente banais – comum entre as pessoas hoje em dia – foi o que me chamou atenção na trama. no começo fiquei ‘ih, to me identificando com esse serial killer…’ mas tenho certeza de que sangue e morte não são coisas naturais pra mim, e nem quero que sejam! mas essas reflexões sobre inadaptabilidade (ui, que palavra difícil) servem como luvas nas mãos de muita gente, inclusive nas minhas.

fora isso, o roteiro merece destaque assim como a fotografia. ambos ágeis e coloridos como deve ser a vida em Miami (pelo menos essa é a imagem corrente que se faz dela).

a primeira temporada foi muito boa, com a gente conhecendo o personagem e se acostumando a ele e seus conflitos. a segunda teve mais ação e sexo e acho que isso foi uma contigência dos produtores, aquela coisa: porra, esse personagem já é um serial killer e ainda por cima assexuado? quem serão os anunciantes interessados nisso? e assim fomos presenteados com algumas (boas) imagens da bunda de Michael C. Hall e dos peitos de Jaime Murray. acima disso, a temporada foi quente, com Dexter sempre a um passo de ser descoberto e ainda envolvido num triângulo amoroso. no final, parece que os roteiristas exageraram na criação de conflitos, e o último episódio da segunda temporada teve um final meio empurrado, mas tudo bem!

agora é esperar a volta do nosso serial killer predileto!

os melhores do ano quase velho, versão 2007

buenas, eu não sei exatamente pra que servem as listas, mas arrisco dizer que nesses tempos em que vivemos eu vou estar ajudando na catalogação dos gostos de um tempo, e daqui milianos alguém vai dar de cara com um aparelho velho – que hoje a gente chama servidor – e quem sabe esse post não será pescado no meio de tantas memórias?

essa é a bengala da minha memória e, feliz ou infelizmente, ela é tudo que tenho pra me segurar. obviamente que vou esquecer uma caçarola de coisas (caçarola de coisas?) e vou precisar de pelo menos mais um ano pra ir lembrando o que vi, enquanto esqueço o que estou vendo.

oquei, de bestofi 2007:

i’m not there

the darjeeling limited

a via láctea

o cheiro do ralo

saneamento básico – o filme

inland empire

hairspray

the science of sleep

el telón de azúcar

death proof

mutum

jogo de cena

four eyed monster

marie antoinette

a scanner darkly

scoop

2 days in paris

o escafandro e a borboleta

corpo

sicko

stranger than fiction

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nessa lista há espaço também para:

catálogo: filmes de outros tempos vistos este ano:

children of men, gummo, the holy mountain, amantes constantes, árido movie, napoleon dynamite,

pecato: filmes que estrearam esse ano e que não tive grana pra ver

a vida dos outros, santiago, o pequeno italiano, lady vingança, antes que o diabo saiba que vc está morto, 4 meses 3 semanas e dois dias, cão sem dono.

até que a memória diga o contrário…

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