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The Hottest State, 2006 (Um Amor Jovem)

Meu coração é de ouro. O que você me daria por ele? Ethan Hawke dessa vez na direção.

Um filme delicado sobre as dores de um primeiro amor. Mas não só isso: sobre o conflito entre sonhos e realidade. A sensibilidade que consegui extrair de alguns projetos que Ethan Hawke se envolve, me agradam muito. Lá pela metade do filme fiz uma relação entre a sua ‘mão’ de diretor com a de uma sua amiga de profissão que recentemente se aventurou também do outro lado da câmera, Julie Delpy. E na minha cabeça os dois estão muito ligados um ao outro, assim como a Richard Linklater com quem já dividiram vários projetos.

The Hottest State é também o nome de um livro escrito por Hawke, que o transpôs em forma de roteiro, dirigiu e ainda atuou. E se não se pode observar um brilhantismo ofuscante em nenhuma das três funções, tampouco pode-se dizer que ele tenha fracassado.  Ele mostra competência e sensibilidade no encaminhamento das três funções no decorrer da trama.

A história se passa entre Nova Yorque e as reminiscências de um Texas de antigamente, que na verdade é o caminho que o protagonista William Harding (Mark Webber) vai percorrendo enquanto conhecemos a história de seu romance com Sara (Catalina Sandino Moreno), uma aspirante a cantora que chega à Grande Maçã para tentar a sorte, e logo em sua primeira noite na cidade, encontra esse rapaz que estava ali, desesperadamente pedindo para ser encontrado. Assim eles iniciam uma delicada relação. William é um ator também em início de carreira às voltas com uma audição no momento em que se encontra com Sara. E eles estão naquele momento em que devem escolher aquilo ou quem gostariam de tornar-se, divididos entre abraçar sonhos antigos ou percorrer uma realidade, que para eles seria vazia de significado.

William viveu a maior parte de sua vida ao lado da mãe, e sem dizer explicitamente isso, se ressente pela ausência da figura paterna ao descobrir que não sabe lidar com as mulheres da maneira que deveria. E durante todo o filme o vemos em conflito entre suas próprias ações e o resultado delas, sempre se questionando sobre como deve ser o próximo passo, o que afinal de contas ele deveria ter dito ou feito. Ele recorre aos amigos, à mãe, à própria namorada até que finalmente resolve procurar a única pessoa que pode desamarrar o maior nó de sua existência até aqui.

Uma experiência diferente foi ver Catalina Sandino Moreno interpretando um papel contemporâneo e urbano, com toques de suas origens latinas no figurino, que foi criticado por alguns, mas não chegou a me incomodar. Aliás, achei até interessante essa releitura de roupas latinas com influências de urbanicidade que ajudaram a compor uma personagem forte como ela deveria ser.

A trilha sonora também merece ser citada, pois sustenta a leveza do filme, e se enquadra muito bem à trama já que Sara canta numa banda e isso proporciona cenas em que a vemos compondo, por exemplo.

Curiosidade inusitada é dar de cara com Sônia Braga, interpretando a mãe da personagem de Catalina Sandino. Infelizmente não há sentimento de co-patriotismo que possa me ajudar a dar uma boa nota à interpretação de Sônia…

Carismático também me pareceu Mark Webber. Sem dúvida bem encaixado no papel do rapaz com sensibilidade de garota. Impossível não se identificar com suas dúvidas e até com seus sonhos de um universo real recheado de poesia.

Muitos pontos positivos, sim. Mas uma ressalva: a trama parece ter carecido de um momento de ritmo mais acelerado, pois muita leveza também faz a pipa se perder. Ainda assim, uma marcação de tempo, mostrada de maneira muito sutil, merece referência positiva: durante um período de separação entre o casal, William aparece caminhando sempre em frente ao mesmo cinema, em cujo letreiro percebemos a mudança dos filmes em cartaz, descobrindo que faz no mínimo três filmes o tempo que eles não se encontram.

Um filme pra descansar a mente de pensamentos mirabolantes, pois simplicidade é uma boa palavra para defini-lo.

4 Comentários »

  Ana escrito @ 9 de dezembro 2007

Uma curiosidade: Ethan Hawke usou detalhes muito pessoais no file Um Amor Jovem – a música que Sara canta logo no início do filme “Blue eyes crying on the rain” é uma cançao que o pai de Hawke tocava ao piano quando a familia se reunia. Outro detalhe é o carro – é uma antiguidade que Hawke tem desde o início da carreira. como ator. Gostei do filme. É claro que Hawke está só começando nessa área mas, com Um Amor Jovem e Chelsea Walls, o primeiro longa que dirigiu Ethan Hawke mostra que veio pra ficar. Pena que poucas pessoas o viram.

  Barbara escrito @ 18 de dezembro 2007

Sensibilidade é uma palavra diz tudo quando se trata de Ethan Hawke. Os dois livros de Hawke são fortes e suaves ao mesmo tempo. Ele conta suas histórias mostrando os detalhes com extrema suavidade. O legal é que ele acredita em tudo que escreve. E isto nos leva crer que ele é um escritor genuino e verdadeiro. Ele também escrevu, junto com Julie Delpy e Linklater, o roteiro de Antes do Por do Sol, a sequência de Antes do Amanhecer. Cada vez que vejo esses dois filmes ou leio os livros de Hawke, respeito e reconheço o valor desses profissionais para quem o sucesso e as grandes bilheterias não são o mais importante pois, escrevem ou atuam por paixão à arte.

  Tony escrito @ 13 de dezembro 2007

Olá! Assisti ao filme Um Amor Jovem, me encantei pela jornada do personagem rumo ao amadurecimento, passando pelas frustrações de uma paixão que se dissolve!! E gostei muito da trilha sonora. No final do filme, a Catalina Sandino Moreno canta uma canção (“Meu coração é de ouro. O que você em daria por ele”). Qual o nome desta música? Sabe se esta música está na trilha sonora do filme? Gostaria muito de saber! Ficarei feliz se puder me ajudar, Abraços,
Tony

  Sandra escrito @ 19 de dezembro 2007

Tony a música que você pergunta não faz parte da trilha sonora. Não sei se o nome é este mesmo, pois este título é uma citação de Tenessi William, poeta americano, tio avô do Ethan Hawke. Parece que foi composta pelo jesse Harris exclusivamente para o filme. Comprei o CD na Livraria Cultura e as músicas são fantásticas.
1. Ya No Te Veria Mas (never See You) – Rocha
2. Always Seem To Get Things Wrong – Willie Nelson
3. Somewhere Down The Road – Feist
4. Big Old House – Bright Eyes
5. Speed Of Sound, The – Emmylou Harris
6. It Will Stay With Us – Jesse Harris
7. If You Ever Slip – The Black Keys
8. Crooked Lines – M. Ward
9. World Of Trouble – Norah Jones
10. Never See You – Brad Mehldau
11. It’s Alright To Fail – Cat Power
12. One Day The Dam Will Break – Jesse Harris
13. You, The Queen – Tony Scherr
14. Morning In A Strange City (cafe) – Score
15. No More – Rocha
16. Dear Dorothy – Jesse Harris
17. Never See You – Rocha
18. There Are No Second Chances – Score
Espero que depois de tanto tempo você ainda volte para ver essas dicas.
Um abraço

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