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Archive for janeiro, 2008

Meu Nome Não É Johnny, 2007

Dividido entre comédia e drama, um filme humano sobre a classe média carioca, as drogas e uma reviravolta.

Selton Mello protagonizando o primeiro lançamento nacional do ano recém chegado e mostrando que trabalhador que rala de verdade, não descansa. Digo trabalhador porque Selton atuou, deu palpite na escolha do elenco e ajudou a escrever os diálogos, como se não pudesse evitar a intromissão.

Interpretando pela primeira vez um personagem que ‘estava a seu lado’, ele revive algumas histórias da vida de uma lenda urbana carioca: João Estrella. Jovem da classe média-bem-relacionada, João era moleque quando fumou seu primeiro baseado, meio ao acaso. No filme, o papel do carinha que descola o primeiro pra ele é interpretado por Rodrigo Amarante, também conhecido como baixista do Los Hermanos.  Daí João foi crescendo e o vício também. Um dia ele se viu vendendo, ganhando e gastando mais do que imaginava e não soube a hora de parar. E chegou num tribunal, viu a mãe ali chorando e foi parar no meio dos loucos e se tornou ainda mais humano. Saiu de lá gente grande.

De tão carismático, João ganhou até um livro sobre a própria história, escrito por Guilherme Fiúza, de onde saíram as situações que deram origem ao filme.

Júlia Lemmertz faz o papel da mãe de Estrella, que no final das contas foi a última a saber de tudo. Cléo Pires interpreta a namorada Sofia que esteve ao lado dele em boa parte da jornada. Aliás, Cléo e Selton estão bem afinados. Afinados também são os diálogos que você imagina surgindo normalmente naquelas situações, principalmente se você conheceu algum cara boa praça como o João.

Rafaela Mandelli, que foi protogonista da ‘novelinha’ Malhação por uma ou duas temporadas, se destaca no papel da amiga que também passa por várias metamorfoses dentro da história. E a história se desenrola dentro dessa perspectiva: As várias etapas, a oscilação de alguém que conhece o auge da juventude sem muita noção de limites, e acaba pagando sua pena e voltando à vida normal.

Selton Mello encarnou o seu próprio “Johnny”, o que deu mais charme à trama. Muitos dizem que a história contada dessa forma heroiciza demais o personagem. Mas afinal, ele é um personagem, não?

Mauro Lima dirigiu Tainá 2 por encomenda, e caiu no projeto de Meu Nome Não É Johnny também por convite. E apesar de não ser um projeto ‘pensado’ por ele, conduziu o filme pela linha pop que ele precisava ter.

Em tempos de Tropa de Elite ninguém escapa a uma comparação, a uma pergunta. E sabe, melhor dizer que os dois filmes não se parecem, porque não se parecem mesmo. Os dois talvez lidem com a mesma coisa por prismas diferentes e um pode até abafar o outro, porque em cinema às vezes a subjetividade perde pontos frente à ação. Melhor separar cada um e deixá-los em seus devidos lugares para não julgar errado.

Selton disse que até foi convidado a participar do Tropa. Seria ‘aquele que pede pra sair’, mas já tinha acertado com Mariza Leão sua participação no Johnny. E ele fez bem, porque era preciso alguém como ele pra trazer à tela esse homem-humano. E porque no filme talvez ele seja de longe a melhor coisa.

A história é interessante. A direção coerente. Mas falta à trama uma universalidade maior que transmita a idéia de reconhecimento com o personagem, que é ele mesmo a essência do filme. A fábula do vim-vi-e-venci soa meio piegas. Tudo bem, foi bonito isso, mas e daí?

Ressaltando, o melhor desse filme são seus personagens e suas histórias. Segue um ritmo gostoso de ver, mas quando passa a ser sério, perde a graça.

Quem gosta do Selton deve ir. E quem gosta de cinema brasileiro, também.

Adeus, Ennis Del Mar!

naquele dia, fazia muito tempo que eu não chorava assistindo a um filme. e eu tava ali com um bolo na garganta, esperando o final do filme pra esquecer que queria chorar. daí vem esse rapaz chamado Heath Ledger e na última cena de Brokeback Mountain… é, tive que chorar.

ontem Ledger foi encontrado morto em seu apê no Soho. não vou especular sobre os motivos nem sobre os possíveis porquês. mas vale deixar dito que muitos papéis em Hollywood ficarão sem um bom intérprete e que na singeleza da minha vidinha comum jamais esquecerei de Ennis e nem de Heath.

see you in another life, brother!

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