3:10 To Yuma, 2007
Mas pode me chamar de “Os Indomáveis”!
É tão bom sentar pra assistir um filme redondo, desses que tem todos os elementos de um filme atraente o suficiente para te fazer esquecer que há duas horas você deixou pra trás todas as outras coisas importantes que tinha pra fazer.
E a culpa disso pode ser dividida entre muitos, mas especialmente ao carisma do personagem Ben Wade, interpretado por Russel Crowe: Aquele tipo durão-de-velho-oeste que mata com a mesma facilidade de quem usa os pulmões pra respirar sem nunca ter pedido ajuda pra descobrir como se faz. “Até os homens maus amam suas mães” (ou alguma coisa assim) é uma de suas falas ao ver um velhaco xingando sua mãezinha. Ele não só é um bandido procurado como famoso pela audácia dos crimes que comete. Entre assaltos e assassinatos, ele ainda consegue liderar um bando formado por caras também durões. E o mais bacana deles – além do próprio Wade, é claro – chama-se Charlie Prince (Ben Foster), que nutre um grande respeito por seu ‘chefe’, ultrapassando alguns limites para defendê-lo. Esse personagem me fez desejar ter um irmão mais velho que fosse tão fiel a mim quanto ele ao seu boss.
À parte desses meus devaneios, Wade ‘se deixa capturar’ quando resolve dispersar o bando e seguir sozinho depois, para aproveitar a companhia de uma bela dama. Pego pelo dono da companhia de cargas cujo carregamento havia acabado de roubar, sua vida se cruza com a de outro homem, seu perfeito antagonista.
É aqui que entra na história o rancheiro Dan Evans (Christian Bale), que logo de início percebemos como figura fragilizada em várias questões: seu rancho passa por um incêndio criminoso por conta de uma dívida que possui com o dono da companhia assaltada pelo bando de Wade, o senhor Grayson Butterfield (Dallas Robert). Desacreditado pela mulher e os filhos, o rancheiro se envolve na escolta do famoso ladrão ao trem que o levará para prisão de Yuma em troca de uma recompensa, o que amenizaria um pouco seus problemas. Um homem visivelmente desesperado apostando seu caráter e a própria vida, e não apenas por dinheiro, mas também para reconquistar um pouco de sua honra. Sofrendo também pela perda parcial de um dos pés e vendo sua família passar por uma série de humilhações, esta é a chance de Evans honrar-se a si e aos seus.
Toda a ação se desenrola no caminho entre as cidades de Bisbee e Contention, onde a principal questão é pôr Ben Wade no trem das 3:10 para Yuma. Nesse trajeto seguem além do fora-da-lei e do rancheiro, Butterfield, McElroy, um velho malandrão do oeste que ficou gravemente ferido na última investida criminosa de Wade, e o doutor Potter, um homem entre veterinário e médico.
O criminoso segue provocando a todos e em algum momento percebe qual o real motivo para Evans estar ali, e de um jeito um tanto estranho ambos acabam tornando-se companheiros. Para complicar ainda mais as coisas, o bando de Wade segue liderado por Foster e decidido a impedir a ida do chefe para a prisão.
A meia hora final é tão empolgante que é impossível não ficar dividido entre torcer para que Evans cumpra a missão de mandar Ben para prisão tanto quanto para que o bandido escape com um enorme sorriso no rosto.
A direção é de James Mangold (o mesmo de Garota Interrompida e Johnny e June) e acredite ou não, apesar de vários clássicos sobre a honra e as diretrizes que regem o velho oeste já terem sido produzidos, este Os Indomáveis tem todos os ingredientes de uma das histórias vividas por Tom Mix, e é saboroso: unindo alguns personagens cativantes, algumas boas atuações, o charme de Russel Crowe e Ben Foster e a direção inspirada de Mangold.
Pode ver, porque eu não to mentindo. Vale cada cruzada de dedos, cada torcida por um e por outro personagem.






