Cine Paissandu
Ontem à noite acabei participando – como sempre, sem querer – de uma das últimas sessões de uma sala de cinema de rua, o Cine Paissandu, cinema clássico do bairro do Flamengo, aqui no Rio. Localizada na Rua Senador Vergueiro, 35, a sala tem um visual retrô-setentista de matar de inveja os modernetes. Rola até uma ante-sala de exibição, onde o espectador pode escolher sentar num dos sofás e pensar estar em casa.
Lá assisti uma sessão de O Assalto ao Trem Pagador, ao preço de R$ 1,00 o ingresso, tudo muito simbólico. Tudo muito seguindo aquele esquema fim-de-festa, a sala suja, o ar-condicionado quebrado, avisos escritos em papel sulfite e caneta. Foi como pagar pra andar pelas entranhas de um dinossauro que morreu e não pôde ser enterrado.
O mais legal foi que a platéia também entrou no clima glamour decadente do local e eu lembrei das sessões lotadas no Cine Olimpia em Belém, uma das primeiras salas exibidoras do país e que foi comercialmente desativada após 94 anos de existência, mas que para o bem de todos está sob a responsabilidade da Prefeitura da cidade e abriga sessões com preços populares, continuando assim na ativa. Ontem lá no Paissandu rolou de tudo: gente sentada no chão e por todos os lados, gente roncando alto, uma galera vaiando, o povo pedindo silêncio, as catarses do riso coletivo, e eu colando chiclete na cadeira do cinema pela última vez.
Sentar na poltrona foi como afundar no tapete vermelho de Mark Renton.
Adiós, Paissandu!
(Tirei fotos tuas pra mostrar pros meus filhos. Desculpe se elas não fazem juz à tua beleza porque foram tiradas com um celular.)










