
Tenho acompanhado a perplexidade que tomou conta de muita gente numa discussão que descambou para a falta de respeito com relação a uma possível indicação da paraense Banda Calypso ao Prêmio Nobel da Paz. O interessante nessa perplexidade agressiva têm sido os rumos que a discussão tomou. Entre ofensas ao estilo musical da citada banda e a uma incredulidade quanto às atividades caridosas dos integrantes, vários pontos totalmente irrelevantes foram levantados, como a questão do gosto particular de quem é fã do som/estilo da banda.
Entre outras coisas, até mesmo os conterrâneos resolveram demonstrar sua indignação alegando que a banda tenha como foco principal justamente o público/pessoas que vivem nas periferias dos nossos centros urbanos, em alguns casos sendo sugerido que o enriquecimento dos integrantes se faz na exploração financeira dessas mesmas pessoas carentes as quais,segundo consta, são voltadas as ações socias que a Calypso promove.
Interessante também é pensar que esse questionamento não sofre o mesmo nível de debate quando recebemos shows de bandas internacionais que, vindo a um país periférico como o nosso, não parecem preocupadas em praticar valores de acordo com o nível da nossa situação social discrepante e jogando agora com dados subjetivos, eu mesma, ex-moradora da periferia e agora uma feliz consumidora classe-c, fico de fora da maioria desses mesmos shows internacionais por falta de grana, já que entre falsificar uma carteira de meia-entrada e deixar de ir ao show a escolha é somente minha.
Não posso e – acho – nem devo questionar se a banda toma iniciativas que revertem alguma coisa de seus lucros à causas sociais, mas uma coisa eu li por aí a respeito da reconstrução bancada por eles do bairro da cidade de Recife atingido pela queda de um avião do grupo há pouco tempo atrás. Aliás, Chimbinha e Joelma não tem que prestar contas das caridades que fazem ao grande público, assim como eu mesma – aqui da singularidade de minha existência – banco algumas pequenas atitudes sociais na medida do meu bolso e nem pra tanto faço disso uma campanha pra dar visibilidade à conquista de uma alma caridosa.
Acho mesmo é que essa energia dispensada em criticar o caráter da banda deveria ser canalizada em proporções até maiores num debate sério via @congressonacional. As atitudes dos nossos congressistas sim é que deveriam sofrer discussões inflamadas e prestação de contas como essa, mas pouco disso se vê.
E afinal de contas, o que é que chateia tanto as pessoas a respeito da banda Calypso? Será que é o fato de que ela tenha encontrado um meio de se sobressair comercialmente travando um diálogo direto com os fãs e vendendo seus produtos através dos meios mais próximos de seu público (vide camelôs), coisa pela qual a banda Radiohead foi louvada como vanguardista quando se desprendeu de um selo e resolveu vender seu último álbum através do site oficial da banda, a forma mais próxima que o público deles tem de dialogar com uma banda de fama internacional?
Buenas, isso é só a reflexão de uma mulher que nasceu na periferia da periferia de um país periférico (AKA Brasil), então, who cares?
Pra terminar deixo aqui um #mimimi pessoal e intransferível pela tristezinha de não poder ir ao show de uma banda da qual sou fã since 1997 quando gazetei um dia de escola e fui pra casa de um amigo que me apresentou um dos melhores álbuns produzidos na história da música pop:
- Funciona agora, OK HUMAN!
- OK COMPUTER!

REFLITÃO OQUEI BJS






