17 de maio 2009 · Tags:5 coisas que eu amo em vc, cultura da convergência, deus-sol rá, experiência, fenômeno lost, linha do tempo, lost, lostmaníacos, monstro de fumaça, richard alpert eyeliner, suspense
Me dei conta de que Lost está chegando a última temporada e de repente toda aquela raiva por saber que esperaríamos 6 anos pra desamarrar os nós apertados pela equipe de roteiristas comandada por JJ Abrams se transformou numa tristezinha incômoda. Ainda mais agora que a trama saiu de dentro das estações Dharma pra uma espécie de templo mitológico, e na tentativa de tentar prever pelo menos os rumos de uma série de televisão, vai ser preciso ler algumas historinhas da mitologia greco-romana, os pais da narrativa ocidental, e tudo ficou ainda mais interessante.
Não faço parte da turma gigantesca que tenta encontrar coerência no super fluxo de referências que o seriado despeja a cada episódio, e me detenho a acompanhar a trama boquiaberta com a força criativa do roteiro que vem segurando uma legião de fãs. Mas há também uma pá de gente que vive indiferente ao fenômeno e eu não to aqui pra convencer ninguém do contrário. Só vim aqui pra listar as 5 coisas que mais gosto em Lost porque este último episódio me inspirou um sentimento de nostalgia pelo o que eu ainda não vi:
5. O suspense: quem é que não tá curioso pra saber como a série vai terminar e aguenta até os episódios menos inspirados só pra poder juntar as peças no final?
4. O monstro de fumaça: nada melhor do que um enigma e não um bandido (ou mocinho?) tradicional.

3.O projeto Dharma; a sombra da estátua; o pêndulo de Foucault; o misticismo; a ilha como lugar onde (pode ser que) o tempo seja controlado no mundo enquanto energia física;e todas essas referências esdrúxulas como o urso polar e o Rodrigo Santoro ter sido enterrado vivo.
2. O vai-e-vem do roteiro ou o embaralhamento da linha temporal: porque ser historiador tem desses fetiches, e o prazer de ir buscar na memória aquela cena da primeira temporada e ter que ler um texto sobre viagens no tempo ou física, não tem preço!
1. A experiência: você, amigo lostmaníaco, não se sente parte de uma espécie de experiência da indústria do entretenimento? E isso não parece superbacana?
OBS: Será que o lápis de olho do Richard tem alguma ligação com o fato dele ser um remanescente egípcio ou até o próprio deus-sol, Rá!

Pensem nisso ok beijo.
17 de maio 2009 · Tags:budapeste, chico buarque, feijoada completa em húngaro, gabriella hármori, giovanna antonelli, leonardo medeiros, lula carvalho, rita buzzar, walter carvalho
Aconteceu nesta terça a coletiva de Budapeste, uma das estréias nacionais mais aguardadas do mês de maio. Dirigido por Walter Carvalho e baseado no romance do escritor/compositor Chico Buarque conta a história do “ghost writer” José Costa cuja vida acaba sensivelmente alterada depois de uma parada forçada na cidade de Budapeste, capital da Hungria, cujo idioma – o húngaro – se transforma em uma espécie de obsessão e refúgio numa vida até então sem grandes surpresas. Estiveram presentes, além do diretor, a roteirista e produtora Rita Buzzar e o trio de protagonistas Leonardo Medeiros, Giovanna Antonelli e Gabriella Hármori.
Na chegada Giovanna mostrou-se muito simpática, assim como a húngara Gabriella que apesar da barreira do idioma foi bastante solícita. E como não poderia deixar de ser, a distância entre português e húngaro foi o tema da primeira pergunta dirigida ao protagonista Leonardo Medeiros que reiterou o que já havia dito em entrevistas anteriores sobre ter se limitado a compreender e interpretar da melhor maneira possível as falas de Costa, descobrindo logo de cara que não poderia aprender a língua húngara em 100 lições. O ator fez uma analogia entre o mistério desse idioma pertencente à família das línguas urálicas e a cadência da poesia.
Logo em seguida iniciou-se um debate a respeito da dualidade cinema comercial/cinema autoral, ao que Walter Carvalho respondeu que a carga autoral presente na confecção de Budapeste é grande e ultrapassa inclusive a sua função de diretor, já que está presente na produção do roteiro e até na singularidade de cada interpretação. Rita Buzzar, participando desta discussão, limitou-se a dizer que existem bons filmes e nada mais, sejam eles classificados como comerciais ou de autor. Ela prossegue afirmando que “cinema é risco” e que o sucesso não se pode prever, e exemplificando o fato fala da disparidade entre a quantidade de filmes lançados no espaço de um ano e a quantidade “daqueles que marcam sua permanência no imaginário do espectador comum”; e ainda sobre este espectador, Rita afirma que “é preciso produzir filmes com olhos generosos para conquistar o mundo”, e não apenas para agradar os amigos.
A discussão sobre autoria continua com uma segunda pergunta e Walter fala então sobre o plano cinematográfico como expressão do autor, já que “o plano define o cinema” nas palavras dele. O lugar que a câmera ocupa é a afirmação daquilo que o diretor gostaria de mostrar e “o ponto de vista é um território conquistado”, e é nesta atitude de conquista que reside a autoria.
Em seguida Gabriella Hármori é questionada sobre alguma dificuldade na interpretação da obra – ainda seguindo a linha da diferença entre os idiomas – e conta que uma tradução lhe foi entregue e que durante o processo de testes ela esteve em Paris e encontrou o livro entre os dez mais lidos. Sobre ter sido escolhida como protagonista, Hármori disse achar que Walter estava em busca de uma garota “bem solta” e que se sentiu bastante à vontade durante a experiência de trabalho com a equipe brasileira.
Giovanna Antonelli comentou a felicidade de poder trabalhar num projeto com Walter Carvalho e Leonardo Medeiros, elogiando assim os dois, e contou um pouco sobre o processo de construção da personagem Wanda e sobre o método de Walter em deixar os atores livres para criarem e se adaptarem ao espaço e ao mundo dos personagens.
Depois Walter comenta a generosidade de Chico Buarque em aceitar uma pequena participação no filme e diz que a equipe não teve a idéia apenas para atrair os fãs do compositor ao cinema, mas porque dentro do clima de metalinguagem que envolve filme e livro, a participação tem um significado especial: o autor pedindo um autógrafo ao personagem que criou. Em seguida o diretor comenta a comparação entre a adaptação de Budapeste e Estorvo – outro romance de Chico –, este último dirigido por Ruy Guerra. Assim, Walter fala da amizade e das longas conversas que trava com Ruy e o chama de “rei do plano-seqüência”, aproveitando para revelar a influência do amigo em seu trabalho, assim como o fato de que Budapeste seja um filme com menos planos que o normal, revelando não gostar da técnica do plano/contra-plano optando por pequenos plano-seqüência.
Seguindo a entrevista, Walter é questionado sobre trabalhar em conjunto com o filho, Lula Carvalho, ao que responde ser algo já quase instituído já que desde os tempos em que era ele o fotógrafo, Lula era quem cuidava do foco. Emendando então, o diretor responde também a já batida polêmica sobre a gratuidade das cenas de nudez – questão levantada pelo ator Pedro Cardoso durante o Festival do Rio 2008 -, já que Budapeste apresenta várias cenas desta natureza. Assim é que ele aproveita para diminuir a importância desta polêmica e nos contar sobre o trabalho da luz nestas mesmas cenas, cuja lateralidade do foco ajuda a preservar os atores e sua intimidade, tornando a nudez algo delicado e não necessariamente explícito. Interessante é que no trabalho de Lula Carvalho como fotógrafo de Feliz Natal – primeiro longa dirigido pelo ator Selton Mello – o trabalho de luz e a fotografia escura também priorizaram a proteção do trabalho do ator, segundo fala de Selton na época do lançamento.
Ao final e ainda falando sobre o tema da autoria, Walter Carvalho encerra a coletiva fazendo uma analogia entre a produção de um filme e o trabalho de uma orquestra sinfônica, cujos esforços individuais são coordenados sim pela batuta de um regente, numa coletividade de autorias que produzem aquilo que vemos como produto final.
O filme Budapeste estréia no dia 22 de maio.
Um texto menos subjetivo sobre o que escutei na coletiva de Budapeste. As fotos foram gentilmente sedidas pela amiga Erika Liporaci:
Aconteceu nesta terça a coletiva de Budapeste, uma das estréias nacionais mais aguardadas do mês de maio. Dirigido por Walter Carvalho e baseado no romance do escritor/compositor Chico Buarque conta a história do “ghost writer” José Costa cuja vida acaba sensivelmente alterada depois de uma parada forçada na cidade de Budapeste, capital da Hungria, cujo idioma – o húngaro – se transforma em uma espécie de obsessão e refúgio numa vida até então sem grandes surpresas. Estiveram presentes, além do diretor, a roteirista e produtora Rita Buzzar e o trio de protagonistas Leonardo Medeiros, Giovanna Antonelli e Gabriella Hármori.

Na chegada Giovanna mostrou-se muito simpática, assim como a húngara Gabriella que apesar da barreira do idioma foi bastante solícita. E como não poderia deixar de ser, a distância entre português e húngaro foi o tema da primeira pergunta dirigida ao protagonista Leonardo Medeiros que reiterou o que já havia dito em entrevistas anteriores sobre ter se limitado a compreender e interpretar da melhor maneira possível as falas de Costa, descobrindo logo de cara que não poderia aprender a língua húngara em 100 lições. O ator fez uma analogia entre o mistério desse idioma pertencente à família das línguas urálicas e a cadência da poesia.
Logo em seguida iniciou-se um debate a respeito da dualidade cinema comercial/cinema autoral, ao que Walter Carvalho respondeu que a carga autoral presente na confecção de Budapeste é grande e ultrapassa inclusive a sua função de diretor, já que está presente na produção do roteiro e até na singularidade de cada interpretação. Rita Buzzar, participando desta discussão, limitou-se a dizer que existem bons filmes e nada mais, sejam eles classificados como comerciais ou de autor. Ela prossegue afirmando que “cinema é risco” e que o sucesso não se pode prever, e exemplificando o fato fala da disparidade entre a quantidade de filmes lançados no espaço de um ano e a quantidade “daqueles que marcam sua permanência no imaginário do espectador comum”; e ainda sobre este espectador, Rita afirma que “é preciso produzir filmes com olhos generosos para conquistar o mundo”, e não apenas para agradar os amigos.
A discussão sobre autoria continua com uma segunda pergunta e Walter fala então sobre o plano cinematográfico como expressão do autor, já que “o plano define o cinema” nas palavras dele. O lugar que a câmera ocupa é a afirmação daquilo que o diretor gostaria de mostrar e “o ponto de vista é um território conquistado”, e é nesta atitude de conquista que reside a autoria.
Em seguida Gabriella Hármori é questionada sobre alguma dificuldade na interpretação da obra – ainda seguindo a linha da diferença entre os idiomas – e conta que uma tradução lhe foi entregue e que durante o processo de testes ela esteve em Paris e encontrou o livro entre os dez mais lidos. Sobre ter sido escolhida como protagonista, Hármori disse achar que Walter estava em busca de uma garota “bem solta” e que se sentiu bastante à vontade durante a experiência de trabalho com a equipe brasileira.
Giovanna Antonelli comentou a felicidade de poder trabalhar num projeto com Walter Carvalho e Leonardo Medeiros, elogiando assim os dois, e contou um pouco sobre o processo de construção da personagem Wanda e sobre o método de Walter em deixar os atores livres para criarem e se adaptarem ao espaço e ao mundo dos personagens.
Depois Walter comenta a generosidade de Chico Buarque em aceitar uma pequena participação no filme e diz que a equipe não teve a idéia apenas para atrair os fãs do compositor ao cinema, mas porque dentro do clima de metalinguagem que envolve filme e livro, a participação tem um significado especial: o autor pedindo um autógrafo ao personagem que criou. Em seguida o diretor comenta a comparação entre a adaptação de Budapeste e Estorvo – outro romance de Chico –, este último dirigido por Ruy Guerra. Assim, Walter fala da amizade e das longas conversas que trava com Ruy e o chama de “rei do plano-seqüência”, aproveitando para revelar a influência do amigo em seu trabalho, assim como o fato de que Budapeste seja um filme com menos planos que o normal, revelando não gostar da técnica do plano/contra-plano optando por pequenos plano-seqüência.
Seguindo a entrevista, Walter é questionado sobre trabalhar em conjunto com o filho, Lula Carvalho, ao que responde ser algo já quase instituído já que desde os tempos em que era ele o fotógrafo, Lula era quem cuidava do foco. Emendando então, o diretor responde também a já batida polêmica sobre a gratuidade das cenas de nudez – questão levantada pelo ator Pedro Cardoso durante o Festival do Rio 2008 -, já que Budapeste apresenta várias cenas desta natureza. Assim é que ele aproveita para diminuir a importância desta polêmica e nos contar sobre o trabalho da luz nestas mesmas cenas, cuja lateralidade do foco ajuda a preservar os atores e sua intimidade, tornando a nudez algo delicado e não necessariamente explícito. Interessante é que no trabalho de Lula Carvalho como fotógrafo de Feliz Natal – primeiro longa dirigido pelo ator Selton Mello – o trabalho de luz e a fotografia escura também priorizaram a proteção do trabalho do ator, segundo fala de Selton na época do lançamento.
Ao final e ainda falando sobre o tema da autoria, Walter Carvalho encerra a coletiva fazendo uma analogia entre a produção de um filme e o trabalho de uma orquestra sinfônica, cujos esforços individuais são coordenados sim pela batuta de um regente, numa coletividade de autorias que produzem aquilo que vemos como produto final.

Budapeste estréia no dia 22 de maio.
*Para baixar Feijoada Completa cantada em húngaro, basta ir ao site oficial do filme.