Educação
Depois de passada a pressa gerada pela proximidade da entrega do Oscar, quando o pessoal cinéfilo se acha no DEVER de ver a maior quantidade de filmes indicados possível pra poder formular uma opinião sobre, li vários textos sobre o filme de Lone Scherfig e percebi que tinha alguma coisa ali que muita gente não tava sacando, OU – como diz meu pai – eu é que to muito errada e o resto do mundo é que tá certo. Coisa que a experiência me diz ser bem possível.
Muitos reclamaram do gosto moralista que o filme deixa ao final e fiquei me perguntando se por COCHILO ou DISPLICÊNCIA deixei isso passar. O filme que assisti falava de uma garota prestes a sair da escola e planejando com requintes de bravura sua entrada no mundo acadêmico, quando já bem pertinho do gol surge um rapaz que por si só já valia um CHUTÃO na bola. Então a moça se vê encurralada entre seguir o que estava sendo preparada pra cumprir OU sair beber e dançar com David por aí. Mas será só esse binômio invertebrado o que perturba Jenny?
Aí é que chamo Nick Hornby pra roda. Depois que Alta Fidelidade se transformou num cult e todos os meninos de 20 e poucos anos com suas coletâneas de músicas legais foram parar no olimpo do mundo pop, ser NERD se tornou SEXY e o resto da história é twitter. Até aí, tudo bem! O cara é inglês e escreveu sobre música e futebol, tudo ali na zona do conforto, mas daí a atacar em frente feminina são outras histórias. E aqui abro um parêntese pra citar Guerra ao Terror e dizer o que mais gostei nele: apesar de ser dirigido por uma mulher, em nenhum momento o filme projeta uma idéia romantizada de homem. E Hornby também conseguiu expôr conflitos femininos de forma bem correta, principalmente em se tratando de um período pré-feminismo ENQUANTO MOVIMENTO.
Ok, pra criar o universo de Jenny, Hornby usou as memórias de Lynn Barber, mas inseriu estrategicamente várias figuras feminas ao redor dela, todas enxergando o papel da mulher por uma perspectiva diferente, o que já é MUITO MAIS do que uma protagonista dividida entre estudar ou sair num rolê de jazz com o namorado. Todas elas estão ali pra ensinar algo a Jenny e é assim que ela vai construindo uma personagem mais interessante e complexa do que aquela mocinha que precisaria escolher entre ser mãe ou mulher perdida.
Seja pra ensiná-la a arrancar o quissese dos homens apenas sendo bonita, ou para marcar seu espaço como figura independente, até a mãe lhe mostra o que ela deveria possivelmente evitar. E é sobre isso o filme afinal, OU NÃO? Aí eu já vou soltando um SPOILER, mas quando ela termina contando traquilamente – e lá de Oxford – que mentiu ao rapaz sobre estar louca para conhecer Paris, você vai dizer que ela está reproduzindo um modelo moralista-escroto ou que conseguiu avançar várias casas nesse jogo de poder? Buenas, eu digo é que ela SE DEU BEM e vai poder ser tão francesa e existencialista quanto desejou lá no começo do filme.
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Obs. 1: Aqui um outro texto meu sobre este filme. Perceba que esbocei construir este raciocínio sobre as personagens femininas lá pelo parágrafo 5, mas ficou só na vontade.
Obs:2: Neste texto a grafia de algumas palavras em CAPS (acho que não rola citar isso em caixa baixa né?) é culpa do tanto de Kidids que li antes de dormir. Inclusive, RECOMENDO esse post sobre colesterol que apesar do tom meio trágico, não deixa de ser assaz cômico. O exercício do uso do CAPS foi bacana, então, quem sabe outro dia de novo hein?
UPDATE: acabei de pensar que em se tratando de NERD-SEXY, Kidids é um dos pioneiros nível Brasil da empreitada. Deve ter sido por isso que ele entrou de soslaio nesse texto.






