Art Breaks: A MTV e a cultura visual contemporânea.
Não sei se há um marco para o surgimento da cultura pop, mas com certeza a televisão esteve entre as condições que possibilitaram o surgimento dessa segmentação cultural que é pautada pelo presente-contínuo e pela disseminação em larga escala de seus produtos. No processo que tem tornado a cultura pop cada vez mais visual, chegando ao ponto em que a imagem fictícia da realidade criada por filmes, comerciais de TV e telenovelas são tomadas como a realidade em si, a reelaboração (que é sua maior característica e também sua grande fragilidade) de seus produtos são fruto do embate entre as necessidades do mercado e as vontades dos consumidores, o que acarreta a perda de parâmetros que sirvam para medir não só a direção como a força de uma influência. Assim é que as conhecidas vinhetas da MTV, que neste momento recebem o nome de art-breaks, são tema de uma exposição aqui no Rio de Janeiro, no espaço da OI Futuro, lugar que abriga também um museu temático sobre as telecomunicações.
É legal ver que a cultura pop aos poucos vai se historicizando, reinventando seus mitos e creditando responsabilidades. Os art-breaks produzidos pela MTV, pelo menos no Brasil tiveram papel influenciador em vários produtos da cultura audiovisual nacional, seja na reelaboração da visualidade do marketing voltado ao público jovem, seja na estreita relação com a linguagem videoclíptica, cuja força estética em pouco tempo apareceria como clara influência da vanguarda cinematográfica pop e aqui deixo o nome de Quentin Tarantino como destaque por seu pioneirismo na convergência de tantos símbolos da cultura pop para a linguagem do cinema atual, onde a auto-referência é apenas um detalhe.
As quase três horas e meia de material que pode ser visto na exposição é dividida em 36 blocos temáticos onde algumas vinhetas se repetem, sem que com isso possamos encontrar um padrão para o único padrão que a emissora impõe a estes vídeos: a estilização, reelaboração e desconstrução da logomarca do canal, numa atitude institucional corajosa que tornou a marca MTV não apenas próxima como cúmplice da sensibilidade juvenil, período da vida em que nenhum conceito ou marca pode ter sua natureza cristalizada na cabeça de alguém com tantas dúvidas e escolhas pela frente. Segundo a curadoria da exposição, “o comportamento visual da MTV foi um dos sintomas inaugurais de uma transformação radical entre pessoas e corporações. Suas vinhetas institucionais podem ser entendidas como uma chacoalhada na estabilidade das idéias que rondavam o conceito de imagem corporativa.”
Para saber como ir também, clique aqui. A entrada é franca.







