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na periferia da cinelândia

Cinema Barato

Finalmente é hora de tirar a exposição Rebobine, Por Favor do quadro ali ao lado que indica o filme da semana. A exposição acabou e com isso prometo tirar o Gondry dos temas recorrentes desse blog. Mas antes, terminemos o raciocínio sobre a interessância do protocolo criado por ele e usado como ferramenta na exposição.

Me inscrevi no workshop pra vivenciar o processo e agora, passadas muitas semanas da experiência, deu pra sacar que as regras funcionam como um tratamento de choque: você está naquela sala com mais 12 pessoas estranhas e tem uma hora cronometrada pra seguir os procedimentos de criação. Depois, mais uma hora pra fazer as idéias acontecerem. E as coisas acontecem mesmo de supetão, as idéias vão se misturando ao mesmo tempo em que vão sendo moldadas pra parecerem uma narrativa. De repente já estamos com a câmera na mão, as coisas dando erradas e a capacidade de improsivo (e paciência com o próximo) sendo testada. Quando menos se espera, já estamos na sala de exibição vendo o filme, rindo dos erros e gostando dos acertos, relembrando a experiência vivida há 5 minutos.

Tão curta quanto o parágrafo acima é essa vivência cinematográfica proposta por Gondry que a mim serviu pra pensar que fazer cinema é fácil e divertido. E sim, este blog considera que mesmo estes “filmetes” despretensiosos sejam cinema. Tudo bem se você disser que é outro cinema e não aquele com o qual a indústria cultural nos alimentou e nos engordou a ponto de sermos intolerantes com essa mudança que as câmeras digitais e o youtube trouxeram – e aliás, as redes sociais em geral -, e com o fato de que as classes C e D estejam usando seus crediários nas Casas Bahia pra comprar computadores em 12 parcelas e, pasmem!, estejam aprendendo a se divertir com eles.

Ontem conheci Leona, A Assassina Vingativa (se você não conhece Leona, clique aqui: parte um e dois) e complementando o que disse o Bêbado Gonzo sobre o caso, dá pra perceber que a saga de Leona foi livremente inspirada nas aguardadas brigas entre as protagonistas de novelas das oito, sem nenhum compromisso com a realidade,e muita criatividade. Dá pra perceber a evolução e vontade dos caras através das pequenas mudanças na “direção de arte” do primeiro pro segundo episódio e a  equipe deu até entrevista prum jornal, sabia?

Você, amigo cinéfilo, pode dizer que eu to inventando e que esqueci meu cérebro em algum lugar fora da cabeça, mas se teve paciência pra chegar nesse parágrafo vai acompanhar meu raciocínio seguindo daqui pra uma pergunta interessante: será que a popularização da internet servirá pra que as pessoas das classes mais baixas possam realizar produtos culturais que falem delas para elas mesmas? É, porque sem querer esculhambar com o cinema assim, âmbito geral, existem muitas pessoas que não se vêem representadas nas telonas. Gente real, que assiste TV, compra computadores em parcelas, e gosta de cinema também.

Quem quiser dar uma olhada nos quadros usados como referência no workshop de Rebobine, Por Favor, clica aqui pra se inspirar e chamar os amigos pra fazer um filminho no próximo finde.

http://www.youtube.com/watch?v=ACXFHGanR7w&