25 de agosto 2009 · Tags:anticristo, cannes 09, carol bensimon, lars von trier, william dafoe
Esta não é um crítica sobre o novo filme do Lars Von Trier. Para ler algumas clique aqui, aqui, aqui e aqui.
Se você vem acompanhando a trajetória de Anticristo desde a sua pré-estréia em Cannes sabe no quanto de polêmica o filme segue envolvido. Minha intenção não é dizer quão bom ou ruim ele possa ser e sim entender porque um jornalista pode pretender obrigar o diretor a explicar-se sobre o que quis dizer com o filme. Alguns até saíram da sala e outros ainda passaram mal.Diretamente da minha poltrona confesso que nervoso mesmo eu só senti quando o personagem de William Dafoe tenta desatarrachar uma roldana que foi presa a sua perna com um parafuso.
Ir ao cinema é fazer uma escolha e um dos problemas da cultura de massa, cultura pop ou outro termo que você prefira usar para falar da indústria do entretenimento, acaba optando por produtos que possam alcançar o maior número possível de espectadores. O preço disso pode ser representado no cinema com os filmes que não surpreendem, que seguem fórmulas, aqueles que quando começam nós já podemos prever o final. É fácil, já foi aprovado e as pessoas continuam consumindo, talvez porque fazer escolhas nesse campo seja difícil ou talvez por comodidade.
Carol Bensimon disse que a crítica européia entendeu o filme como provocação e é provável que ela esteja certa. Aliás, provocar a crítica parece necessário nesses tempos em que é fadigante procurar frases diferentes para nomear os mesmos filmes que se repetem, às vezes até com os mesmos atores.
Digo aqui duas coisinhas sobre o filme que particularmente me incomodaram nas críticas que li antes de vê-lo. Uma delas é sobre o filme ser uma crítica rasa ao cristianismo, ao que na verdade penso o contrário: acho que Von trier quis mostrar a que ponto a culpa pode perturbar e tirar uma pessoa de seus limites. A outra é sobre a tal raposinha citada no primeiro parágrafo: será que agora um diretor de cinema não pode mais ser desconexo, devendo portanto entregar já de saída todas as chaves com as quais a gente possa abrir os segredos de um filme?
Como diria a raposa: o caos reina.
Dica: se for assistir Anticristo não se atrase: o prólogo tem as imagens mais bonitas que vi no cinema esse ano
Esta não é um crítica sobre o novo filme do Lars Von Trier (que aliás, é o filme da semana aqui no Cine Orly). Para ler uma crítica sobre ele, clique aqui e aqui.
Se você vem acompanhando a trajetória de Anticristo desde a sua pré-estréia em Cannes sabe no quanto de polêmica o filme segue envolvido. Minha intenção não é dizer quão bom ou ruim ele possa ser e sim entender porque um jornalista pode pretender obrigar o diretor a explicar-se sobre o que quis dizer com o filme. Alguns até saíram da sala e outros ainda passaram mal.Diretamente da minha poltrona confesso que nervoso mesmo eu só senti quando o personagem de William Dafoe tenta desatarrachar uma roldana que foi presa a sua perna com um parafuso.
Ir ao cinema é fazer uma escolha e um dos problemas da cultura de massa, cultura pop ou outro termo que você prefira usar para falar da indústria do entretenimento, acaba optando por produtos que possam alcançar o maior número possível de espectadores. O preço disso pode ser representado no cinema com os filmes que não surpreendem, que seguem fórmulas, aqueles que quando começam nós já podemos prever o final. É fácil, já foi aprovado e as pessoas continuam consumindo, talvez porque fazer escolhas nesse campo seja difícil ou talvez por comodidade.
Carol Bensimon disse que a crítica européia entendeu o filme como provocação e é provável que ela esteja certa. Aliás, provocar a crítica parece necessário nesses tempos em que é fadigante procurar frases diferentes para nomear os mesmos filmes que se repetem, às vezes até com os mesmos atores.
Digo aqui duas coisinhas sobre o filme que particularmente me incomodaram nas críticas que li antes de vê-lo. Uma delas é sobre o filme ser uma crítica rasa ao cristianismo, ao que na verdade penso o contrário: acho que Von Trier quis mostrar a que ponto a culpa pode perturbar e tirar uma pessoa de seus limites. A outra é sobre a tal raposinha citada no primeiro parágrafo: será que agora um diretor de cinema não pode mais ser desconexo, devendo portanto entregar já de saída todas as chaves com as quais a gente possa abrir os segredos de um filme?
Como diria a raposa: o caos reina.
Dica: se for assistir Anticristo não se atrase: o prólogo tem as imagens mais bonitas que vi no cinema esse ano.
28 de julho 2009 · Tags:à deriva, cannes 09, cheiro do ralo, débora bloch, erika liporaci, felipa, heitor dhalia, laura neiva, orkut, vicent cassel
Sabe como é, você escreve um texto e guarda. Depois lê e pensa o que poderia mudar. Com esse texto sobre a coletiva de À Deriva foi assim. Mas eu não vou mudar nada, sabe? Basta dizer que a Débora Bloch é exatamente como aparece na tela da tv, além de elegante e simpática. Que o Vicent Cassel tava gripado e que o Heitor Dhalia tem um sotaque bom de ouvir.
Agora sejamos sérios:

O grupo formado por Heitor Dhalia, Débora Bloch, Vicent Cassel e Laura Neiva receberam a imprensa para uma conversa sobre À Deriva, filme que entra em cartaz no próximo final de semana. Depois do sucesso de O Cheiro do Ralo, Dhalia dá continuidade à sua trajetória como diretor com a história de Felipa (Laura Neiva) uma garota de 14 anos que testemunha os conflitos envolvendo a separação dos pais (interpretados por Cassel e Bloch) ao mesmo tempo em que passa a viver suas primeiras experiências amorosas.
Perguntado sobre ter feito de Felipa um alter-ego seu, o diretor confirma que o conflito da personagem, assim como a época em que a história se passa, foram em alguma medida inspirados em sua história sem, no entanto, reproduzi-la fielmente: “minha mãe não bebe”, afirma ele, em tom de piada.
Vicente Cassel comenta que Heitor os deixava livres e falava pouco. Disse que assim as relações entre os atores tomaram caminhos lúdicos e concentrados em suas caracterizações. O diretor comenta que não havia um roteiro para Laura (que faz sua estréia como atriz neste filme) e disse que propôs a ela um exercício de compreensão do drama e resposta aos conflitos da maneira mais natural possível.
Comentando a sua escolha como protagonista, Laura disse que foi contatada inicialmente através de um site de relacionamentos e, assustada, chegou a rejeitar a proposta. Heitor contou que ela foi escolhida na reta final de testes quando todas as datas de produção já estavam agendadas mesmo sem uma protagonista. Sua reação foi imediata ao vê-la nos testes: era ela!
A ambientação sutil que remete ao início dos anos 1980 pretende ser mais uma aproximação nostálgica ao período do que uma reconstituição minuciosa: “o importante é a memória de uma época, não a época em si”, diz Dhalia. É possível perceber o esmero da direção de arte e também no figurino: “Toda a equipe trouxe fotos de família para o set e isso foi o que nos ajudou a compor a ambientação”
Débora Bloch falou sobre a felicidade da relação entre eles, o que ajudou no clima familiar necessário a trama. Comentando o hiato de suas aparições na telona, disse que a indústria cinematográfica nacional produz pouco e fica difícil conciliar seus interesses aos perfis requeridos pelos produtores. Falando sobre o fazer cinematográfico,diz ela que é muito propício ao trabalho do ator devido ao ritmo, ajudando na construção do personagem, diferente da televisão, que sabemos é uma indústria mais forte do que o cinema em nosso país. Disse também que sua filha Júlia foi convidada a uma sessão de À Deriva e para surpresa da mãe telefonou elogiando o filme, coisa que ainda não havia acontecido entre elas.
Dhalia contou que tomou todo o cuidado necessário para lidar com as sutilezas das experiências da protagonista nas cenas mais delicadas ligadas à sexualidade, e assim conseguiu que o filme tivesse censura 14 anos, a idade da personagem, o que ajuda na identificação do público adolescente.
Débora afirmou que estar em Cannes foi emocionante em todos os sentidos, principalmente pela acolhida de Vicent Cassel e também pelos aplausos de aprovação da platéia que esteve na estréia do filme.
Durante a sessão de fotos foi possível perceber a integração dos atores com o diretor e acompanhá-los tirando fotos entre si e fazendo piadas uns dos outros, num clima eu demonstra o entrosamento que vemos no filme.
Fotos gentilmente cedidas por Erika Liporaci.
O grupo formado por Heitor Dhalia, Débora Bloch, Vicent Cassel e Laura Neiva receberam a imprensa para uma conversa sobre À Deriva, filme que entra em cartaz no próximo final de semana. Depois do sucesso de O Cheiro do Ralo, Dhalia dá continuidade à sua trajetória como diretor com a história de Felipa (Laura Neiva) uma garota de 14 anos que testemunha os conflitos envolvendo a separação dos pais (interpretados por Cassel e Bloch) ao mesmo tempo em que passa a viver suas primeiras experiências amorosas.
Perguntado sobre ter feito de Felipa um alter-ego seu, o diretor confirma que o conflito da personagem, assim como a época em que a história se passa, foram em alguma medida inspirados em sua história sem, no entanto, reproduzi-la fielmente: “minha mãe não bebe”, afirma ele, em tom de piada.
Vicente Cassel comenta que Heitor os deixava livres e falava pouco. Disse que assim as relações entre os atores tomaram caminhos lúdicos e concentrados em suas caracterizações. O diretor comenta que não havia um roteiro para Laura (que faz sua estréia como atriz neste filme) e disse que propôs a ela um exercício de compreensão do drama e resposta aos conflitos da maneira mais natural possível.

Comentando a sua escolha como protagonista, Laura disse que foi contatada inicialmente através de um site de relacionamentos e, assustada, chegou a rejeitar a proposta. Heitor contou que ela foi escolhida na reta final de testes quando todas as datas de produção já estavam agendadas mesmo sem uma protagonista. Sua reação foi imediata ao vê-la nos testes: era ela!
A ambientação sutil que remete ao início dos anos 1980 pretende ser mais uma aproximação nostálgica ao período do que uma reconstituição minuciosa: “o importante é a memória de uma época, não a época em si”, diz Dhalia. É possível perceber o esmero da direção de arte e também no figurino: “Toda a equipe trouxe fotos de família para o set e isso foi o que nos ajudou a compor a ambientação”
Débora Bloch falou sobre a felicidade da relação entre eles, o que ajudou no clima familiar necessário a trama. Comentando o hiato de suas aparições na telona, disse que a indústria cinematográfica nacional produz pouco e fica difícil conciliar seus interesses aos perfis requeridos pelos produtores. Falando sobre o fazer cinematográfico,diz ela que é muito propício ao trabalho do ator devido ao ritmo, ajudando na construção do personagem, diferente da televisão, que sabemos é uma indústria mais forte do que o cinema em nosso país. Disse também que sua filha Júlia foi convidada a uma sessão de À Deriva e para surpresa da mãe telefonou elogiando o filme, coisa que ainda não havia acontecido entre elas.

Dhalia contou que tomou todo o cuidado necessário para lidar com as sutilezas das experiências da protagonista nas cenas mais delicadas ligadas à sexualidade, e assim conseguiu que o filme tivesse censura 14 anos, a idade da personagem, o que ajuda na identificação do público adolescente.
Débora afirmou que estar em Cannes foi emocionante em todos os sentidos, principalmente pela acolhida de Vicent Cassel e também pelos aplausos de aprovação da platéia que esteve na estréia do filme.
Durante a sessão de fotos foi possível perceber a integração dos atores com o diretor e acompanhá-los tirando fotos entre si e fazendo piadas uns dos outros, num clima eu demonstra o entrosamento que vemos no filme.
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*Fotos gentilmente emprestadas por Erika Liporaci.
** Não perca a oportunidade de me ver – desfocada – em pose de tiete.