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na periferia da cinelândia

o cinema de john hughes e os anos 80

Depois da morte de John Hughes muita gente parou pra repensar a importância de seus filmes para a cultura pop e a vibe oitentista. Eu que vivi – como muitos – as Sessões da Tarde como uma espécie de babá, não poderia deixar de dizer alguma coisa a respeito.Além de se conectar com a sensibilidade dos jovens que viviam a década de 1980, os filmes do diretor influenciaram também uma geração posterior, de gente que hoje tem quase a mesma idade que O Clube dos Cinco e seus quase 25 anos de lançamento.

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Mostrando personagens que trasgrediam as regras e se reiventavam para sobreviver à uma década que recebeu o apelido de “perdida”, seria forçado ligar o trabalho de Hughes aos filmes de Gus Van Sant sobre os adolescentes dos anos 2000, como Elefante e Paranoid Park? As precoupações de ambos podem até ser diferentes, já que entre uma e outra geração existe um mar de diferenças, mas a vontade de entender o que queriam e o que estariam pensando os jovens do momento parece conectar o trabalho dos dois diretores.

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A questão do vazio existencial de uma geração que surgiu na ressaca dos excessos e liberdades das décadas de 1960 e 1970 pode ser representado pela cena do clássico Curtindo a Vida Adoidado em que Cameron, o amigo de Ferris, diz não saber o que fazer do futuro depois da escola. Em A Garota de Rosa Shocking temos uma versão da história em que a gata borralheira sofre preconceitos, preferindo criar os seus prórios figurinos, adquirindo roupas em brechós e usando a criatividade pra atualizar peças fora de moda no esforço para se sobrepôr às diferenças sociais e demonstrar valores que ficaram perdidos em meio à loucura por acúmulo e ostentação, que se tornaram agudas nessa época somente para nos entregar de bandeja mais uma crise mundial, e em pleno 2009 as mocinhas são novamente orientadas a buscarem através do chamado Hi-Lo manterem a critividade acesa através das roupas, das sobreposições e das visitas à brechós.

Se as crises ecônomicas são cíclicas e o cinema também é espaço pra se pensar os jovens de uma época, a cultura pop vai traçando assim as linhas da sua história ao mesmo tempo em que acompanha a história da sociedade ocidental capitalista, porque como diria o Ferris Bueller: o que adianta saber sobre socialismo se isso não vai me fazer ter um carro, não é?

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Horas depois de escrever esse texto, reassisti o Clube dos Cinco e fiquei pensando sobre a fabricação dos estereótipos – que é um dos focos do filme – e de como é difícil tanto fugir deles quanto aceitá-los. Ainda nessa mesma linha, ontem li dois textos na Revista Piauí escritos por Ralph Steadman – desenhista que trabalhou com Hunter Thompson durante muito tempo – nos quais ele vai construindo/destruindo a imagem do escritor a medida que se aproxima dele, o que é o mesmo exercício que os cinco personagens do filme fazem durante as oito horas em que ficam juntos naquele castigo coletivo.

para fragilidade da memória: blog

cada dia que passa confirmo que minha memória tem guardado apenas informações que não podem ser acessadas por outros meios. vários filmes sumiram da lembrança, ou ficaram apenas nas cenas mais emblemáticas. a solução é voltar a escrever com mais frequência por aqui e poder acessar quando alguém perguntar se vi um tal filme.

aliás, isso merece nota: revi jules e jim este final de semana e não lembrava o final. fiquei uns segundos de olhos arregalados.

ficam duas promessas de mim pra mim: um texto sobre curtindo a vida adoidado e outro sobre som e fúria.