5 de janeiro 2009 · Tags:alex gibney, colin firth, gonzo, gonzo um delírio americano, hunter s. thompson, jornalismo gonzo, o menino do pijama listrado, quando vc viu seu pai pela última vez
Os últimos textos publicados no Cine Players:

Embalsamando Hunter S. Thompson: Tentar encontrar um adjetivo – ou até vários deles – para encaixotar Hunter S. Thompson em um box tamanho padrão no supermercado dos estereótipos é tão ineficaz quanto escrever sobre o próprio, já que as experiências e histórias escritas por ele são a melhor tradução de sua criatividade e permanecem vivas para além de quaisquer problemas com a validade de suas fontes. [Leia mais]

Quando você viu seu pai pela última vez: Com interessantes jogos de espelho a fotografia brinca com duplos e com a inserção de personagens na cena através de seus reflexos. E apesar de todas as premonições que se possa ter antes de assistir a Quando Você Viu Seu Pai Pela Última Vez, os clichês são suavizados pela inserção dos flashbacks em momentos não óbvios, sem que um personagem precise dar a deixa para que Blake lembre momentos-chave de seu passado e importantes para a trama. [Leia mais]

Falando sobre o Holocausto: O enfoque maior de O Menino do Pijama Listrado talvez não seja necessariamente o episódio que narra, mas o tema maior da intolerância étnica que tem voltado a ser tornar um problema tão sério que já não pode deixar de ser discutido. No entanto a maneira como se constrói a narrativa e os elementos utilizados para encadeá-la, esvaziam sua intenção e deixam o produto final com cara de mais do mesmo. [Leia Mais]
8 de outubro 2008 · Tags:9 out of 10 movie stars make me cry, a erva do rato, fear and loathing in las vegas, gonzo, gonzo um delírio americano, hunter s. thompson, johnny depp, o casamento de rachel, raoul duke
quando cheguei na saleta de sessenta e seis lugares onde colocaram três das quatro exibições de gonzo: um delírio americano (gonzo: the life and work of dr. hunter s. thompson, 2008), saquei logo que o melhor lugar era o chão do corredor lateral, e fui meio escorregando pela parede, depois de quase me desmanchar na sessão de o casamento de rachel.
lá pelo meio do documentário pensei se não era o caso de se bagunçar aquela sessão, porque no dia que assisti a erva do rato e fiquei de pé no fundo da sala, me perguntei como é que as pessoas não se chateiam ou não reclamam de não poderem, por exemplo, ficar de pé ou sentar no braço da cadeira enquanto assistem a um filme? e ali a gente tava falando de todas as trangressões de hunter thompson, que lá pelo final do documentário afirma aquilo que a gente já sabia: que qualquer coisa que se possa escrever sobre ele não supera e nem traduz a experiência de ter estado lá, seja na vivência com os hell’s angels, em las vegas com dr. gonzo ou na candidatura em aspen.
enfim, ele joga na cara mesmo sabe como é? e eu pensei de novo: mas como é que esse pessoal ouve o cara falando e não pensa no mínimo em tacar o copo de refrigerante na parede, porra? então só me restava o chocolate que tava na bolsa, quem sabe uma iluminação, sei lá, pequena mas engraçada, dessas que meu amigo delinquente curte à beça porque diverte mesmo. e aí olhei em volta e já tinha juntado uma galerinha ali no chão do cinema, então botei uma rodada de chocolate pra gente, né?
e o filme foi passando e a gente gargalhando com muitas imagens de arquivo do cara, e o engraçado é que ele tinha uma entonação na voz que lembrava imediatamente o johnny depp no fear and loathing in las vegas, mas isso não afeta a dissociação e eles permanecem postos cada um em seu lugar, enquanto o próprio johnny depp participa do documentário lendo trechos dos livros de hunter.
no final você entende, o cara era um romântico cansado que resolveu sair antes de ser expulso, e ainda dizem que ele foi embora num dia bonito. pra que mais?
aí o filme acabou e eu também não joguei nada na parede. mas um dos caras que dividiu o chocolate comigo me puxou pelo braço e me abraçou, dizendo ‘olha, obrigado’. e bicho, na hora eu só pensei em mandar um abraço pra ti, raoul! exatamente esse abraço que eu e o ‘estranho’ nos demos, e que – claro – era pra ti, né?
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