8 de janeiro 2009 · Tags:2008, adriana mariño, arnaldo baptista, carlos nader, daniela thomas, douglas duarte, frank darabont, glauber rocha, gustavo spolidoro, irmãos coen, irmãos wachowski, josé mojica marins, julie delpy, lisandro alonso, listas, lóki, lucrecia martel, melhores, paul thomas anderson, paulo henrique fontenelle, walter salles, wes anderson, woody allen
Depois de muito refletir – porque 10 é muito pouco – montei uma lista:
1. Onde os Fracos Não Têm Vez/Irmãos Coen
2. Sangue Negro/P.T. Anderson
3. Na Natureza Selvagem/Sean Penn
4. Linha de Passe/Walter Salles&Daniela Thomas
5. Speed Racer/ Irmãos Wachowski
6. Ainda Orangotangos/Gustavo Spolidoro
7. 2 Dias em Paris/ Julie Delpy
8. Viagem a Darjeeling/ Wes Anderson
9. Personal Che/Adriana Mariño&Douglas Duarte
10. Vicky Cristina Barcelona/Woody Allen
Menção honrosa (ou seja, pairando acima): A Mulher Sem Cabeça/Lucrecia Martel
Prêmio O Retorno de Jedi: Encarnação do Demônio/José Mojica Marins
Prêmio Lencinho de Ouro: Pan-Cinema Permanente/Carlos Nader e Lóki-Arnaldo Baptista/Paulo Henrique Fontenelle
Prêmio Medo de Ouro: O Nevoeiro/Frank Darabont
Prêmio Quase Entendi e Ainda Gostei: Liverpool/Lisandro Alonso
E, finalmente:
Prêmio Morango do Nordeste (ou apesar de colher as batatas da terra, mamãe: eu sei fazer arte!):
O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro/Glauber Rocha
pelo lenço vermelho, pelo glauber, pelo dragão e pelo santo.
errata: vou deixar o wes anderson, repetido mesmo.
13 de novembro 2008 · Tags:ainda orangotangos, amigo punk, gaúchos, gustavo spolidoro, plano sequência

Nada traz em si respostas fáceis que nos ensinem sobre a natureza das coisas. Foi assim que Paulo Scott escreveu os contos de Ainda Orangotangos, falando de coisas que surgem do âmago, situações-limite que explodem quando o sangue esquenta a ponto de libertar o antiqüíssimo macaco que trazemos guardado por baixo das roupas de homem.
Gustavo Spolidoro levou os contos para o cinema e aproveitou pra se impor o desafio de filmar um plano-sequência de 81 minutos, e só isso já ativa o botão da curiosidade cinéfila e é preciso ir a uma sessão pra ver como se fez. Talvez essa coisa do plano-sequência tenha mitificado um pouco o filme, mas é inevitável não pensar no trabalho afinado da produção que conseguiu organizar seis takes daqueles. Duas transições são as que mais impressionam: a da mulher que aparece nua num apartamento vazio e a do casal no apartamento da modelo, onde se entra de manhã e se sai à noite única e exclusivamente por culpa do relógio que nos avisa que muito tempo passou desde que os dois deitaram molhados na cama.
São muitos os personagens, os japoneses, o guardador de carros, a loira espevitada, a mulher nua, o porteiro, o cara da venda, o velho do churrasquinho e o professor de canto, mas parece que tudo ali diz respeito à cidade. E por mais que Porto Alegre esteja por todo lugar, no sotaque, na discussão sobre futebol e na trilha sonora, aqueles surtos e personagens podem estar agora mesmo planejando tomar de assalto o aniversário da debutante, aqui do lado, no apartamento vizinho.
Algumas coisas no filme chateiam sim, tipo a história do Papa João Paulo II ter rezado no campo do Grêmio [que poderia ter sido mais curta] ou a cena do casal se embriagando com perfume e peixinhos de aquário. E bem na hora que aquilo tudo parece ter passado do ponto, os personagens saem de cena [ainda bem] e não é preciso pensar no passado ou no futuro deles.
Como aquelas conversas fortuitas que a gente escuta no ônibus ou na portaria do prédio, muitas e muitas pessoas passam todos os dias na nossa vida sem deixar pista que nos diga como encontrá-las outra vez. E é assim que os personagens vão se sucedendo, sem grandes ligações entre si, apenas com a cidade como cimento e palco de histórias que desaparecem como fumaça, e com o sentimento humano de pertencimento perdido e reencontrado em cada uma delas. Um reencontro animal e festivo que culmina com a cena final da fuga que quebra várias convenções com uma granada só.
A direção é segura e a câmera fareja coisas ao redor da cena pra nos mostrar um personagem surgindo lá no final da rua. Algumas atuações são cambaleantes, outras convencem bem, e o melhor é ver os personagens lidando com o universo exterior ao filme, andando na rua como se nada fosse. Pareceu uma história sincera que fala do nada que é tudo, e que é gaúcha antes de tudo e pontoparágrafo