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	<title>cineorly &#187; javier bardem</title>
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	<description>na periferia da cinelândia</description>
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		<title>No Country For Old Men, 2007</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Feb 2008 23:17:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[críticas]]></category>
		<category><![CDATA[anton chiguhr]]></category>
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		<description><![CDATA[Onde os Fracos Não Têm Vez
Pra que continuar sem ter mais lugar em seu próprio lar?
Não sei se concordo com o título em português, porque ninguém me parece fraco nesse filme. Viver 50, 60 anos no mesmo lugar, absorvendo e moldando seu caráter através da movimentação social de uma comunidade e depois não conseguir entender [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;margin:0 0 10pt;" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman"><strong><a href="http://www.cineplayers.com/critica.php?id=1236">Onde os Fracos Não Têm Vez</a></strong></font></p>
<p><i><font face="Times New Roman">Pra que continuar sem ter mais lugar em seu próprio lar?</font></i></p>
<p style="text-align:justify;margin:0 0 10pt;" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman">Não sei se concordo com o título em português, porque ninguém me parece fraco nesse filme. Viver 50, 60 anos no mesmo lugar, absorvendo e moldando seu caráter através da movimentação social de uma comunidade e depois não conseguir entender quem são e de onde vieram aqueles ‘alienígenas’ que subvertem cruel e diariamente a velha realidade, e ainda ter que admitir pra si próprio que teu lar não tem mais um lugar pra ti, dói até no mais forte dos homens.</font></p>
<p style="text-align:justify;margin:0 0 10pt;" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman">Cormac McCarthy ganhou vários prêmios pelo livro <b>Onde os Velhos Não Têm Vez</b>, (lançado no Brasil pelo <span class="texto">selo Alfaguara, ligado à</span> Editora Objetiva) cuja história foi adaptada pelos próprios Irmãos Coen e que antes mesmo do Oscar já faturou vários prêmios como Melhor Direção, Melhor Elenco e Ator Coadjuvante, para Javier Bardem. </font></p>
<p style="text-align:justify;margin:0 0 10pt;" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman">Quem conhece o anti-convencionalismo que permeia os trabalhos dos Coen pode imaginar que <b>Onde os Fracos Não Têm Vez</b> não pode ser taxado como um faroeste moderno ou qualquer título desses. O filme nos faz pensar exatamente na subversão de valores da ‘ética do faroeste’, da vida em uma região fronteiriça que sempre conheceu a violência, mas que não consegue compreender a banalização em torno dela, pois até mesmo os homens maus têm seu código de honra. Apesar de tudo, até Anton Chigurh (Javier Bardem) tem seu código.</font></p>
<p style="text-align:justify;margin:0 0 10pt;" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman">Aproveitando a deixa do Bardem, falemos do elenco e comecemos por ele. Interpretando o <i>inadjetivavél</i> Anton Chigurh, seu também enigmático corte de cabelo é apenas uma outra forma de demonstrar visualmente que aquele homem não é comum, e de chamar a atenção logo de cara. E logo de cara sabemos que ele é um assassino, personagem tão sui generis que costuma matar usando um tubo de ar comprimido. O pior é que ele está só fazendo o seu trabalho e é extremamente metódico, por isso cuidado ao atravessar o seu caminho. Melhor desviar ou a sua única chance de escapar é ganhar um cara/coroa com ele. Bardem merece nosso respeito, independente do que digam sobre ele parecer caricato no papel. Caricato, não. Talentoso o suficiente pra tirar de dentro de si um homem sem adjetivos.</font></p>
<p style="text-align:justify;margin:0 0 10pt;" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman">Já Josh Brolin teve um ano cheio: <b>Planeta Terror</b>, <b>O Gângster</b>&#8230; Para o papel de Llewelyn Moss ele inclusive pediu ajuda para a dupla Tarantino/Rodriguez no seu vídeo de audição. Apesar dessa ajudinha dos amigos, Brolin mostrou-se competente, com sotaque e tudo. Mesmo usando a casca de durão, Llewelyn se mete no caminho de Chigurh sem querer, e depois não consegue mais sair. O que surge daí é uma perseguição aflita e inusitadamente bem construída. </font></p>
<p style="text-align:justify;margin:0 0 10pt;" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman">Mas falando ainda em sotaques, foi engraçado reconhecer Kelly Macdonald (aquela mesma menina que passa a perna no personagem Mark Renton de <b>Trainspotting</b>) na pele de uma moça bem texana, no caso Carla Jean Moss, a esposa durona de Llewelyn, que é excluída de todas as decisões, mas sabe que por pior que seja o inimigo, seu marido também não entregará os pontos. </font></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 6pt;" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman">É interessante que Woody Harrelson apareça numa participação, no papel de Carson Wells, encarregado de tentar dar um freio na fervorosa atuação de Chigurh na tarefa de reaver a maleta. É claro que ele falha. E Woody saí do filme sem fazer a menor falta.</font></p>
<p style="text-align:justify;margin:0 0 10pt;" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman">E completando a lista de protagonistas, Tommy Lee Jones. E é ele o velho homem sem lugar, aquele que não consegue entender o crime que narra, nem porque os garotos de hoje pintam os cabelos de verde e não usam mais palavras como ‘senhor’ e ‘senhora’. Em algumas cenas é possível sentir a confusão no olhar do Xerife Bell, aquele cujo pai e cujo avô foram xerifes como ele, numa época em que policiais nem usavam armas. É ele quem personifica o choque de gerações. Veja bem, não um choque<b> entre </b>gerações. Mas o choque particular de um homem simples que não entende a crueldade pura e simples da mudança dos tempos. </font></p>
<p style="text-align:justify;margin:0 0 10pt;" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman">A sinopse vocês já devem conhecer: Em 1980 na fronteira do Texas com o México, Llewelyn caça veados na planície, quando de repente cai no meio de uma cena de crime e encontra um carregamento de heroína, alguns corpos e carros, um mexicano com sede e uma maleta com 2 milhões de dólares. Quem não se arriscaria por reaver essa quantia? É o que ele pergunta a Carla Jean, já se preparando para fugir e sabendo que seria perseguido.<span>  </span>Então entra em cena Anton Chigurh, assassino sarcástico que não mata apenas por dever, encarregado em trazer de volta o dinheiro. Em meio às confusões que o assassino vai aprontando, Xerife Bell segue seu rastro, tentando proteger Llewelyn não só por ele pertencer a sua comunidade, mas por saber de cara que ele se meteu nisso sem nenhuma noção do problema que tinha criado pra si.</font></p>
<p><font face="Times New Roman"></font></p>
<p style="text-align:justify;margin:0 0 10pt;" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman">O massacre se desenrola engolindo a gente, mas é fácil perceber a mão dos Coen, seja na maneira como Llewelyn consegue encontrar o dinheiro, seja na primeira conversa que vemos entre ele e Carla Jean. Ou no posicionamento e ingenuidade burra do parceiro do xerife, Wendell (Garret Dillahunt), como no posicionamento da câmera na primeira crueldade de Chigurh, que inclusive é um personagem com certo humor. Um humor que saiu de dentro da cartola dos irmãos. É daqueles filmes que se você pudesse assisti-lo sem saber nenhuma informação sobre sua produção, no final diria: isso é coisa de Joel e Ethan Coen.</font></p>
<p style="text-align:justify;margin:0 0 10pt;" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman">E é um trabalho realmente guiado por eles, que além de dirigirem e adaptarem o romance de Cormac McCarthy, foram também os responsáveis pela edição do filme sob o pseudônimo de ‘Roderick </font><a name="PVW" title="PVW"></a><font face="Times New Roman">Jaynes</font><font face="Times New Roman">’. Ainda falando na presença invisível deles dentro da história, será possível que tenha existido mesmo uma farmácia em Minneapolis chamada Mike Zoss Pharmacy? Aquele nome me chamou a atenção, mas agora eu sei que foram eles que deram a pista para que nós nos lembrássemos da Mike Zoss Productions, a produtora dos irmãos. É como deixar um espaço para dizer claramente: Você conseguiu ver aquilo? Então conseguiu ver quem é que gira o guidom dessa história.</font></p>
<p style="text-align:justify;margin:0 0 10pt;" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman">Realmente estou dividida. Ainda bem que não sou eu quem deve escolher entre entregar o Oscar para eles ou para o P.T. Anderson.</font></p>
<p style="text-align:justify;margin:0 0 10pt;" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman">Antes de terminar falta ainda dizer que a trilha sonora sem trilha só fortalece a angústia de algumas cenas. Aquele suspense que vai crescendo no fundo do silêncio. Qualquer barulho e Chigurh aparece! Até eu sei disso.</font></p>
<p style="text-align:justify;margin:0 0 10pt;" class="MsoNormal"><font face="Times New Roman">Alguns críticos – até onde pude ler – não gostaram da cena final. A mim pareceu bem emocionante ver aquele xerife velho e agora aposentado dizendo que seu pai morreu aos vinte e por isso sempre será mais novo que ele, e que tudo que ele sonha, agora que tem tempo pra isso, é ter um ponto imutável no tempo onde possa se segurar. Mesmo que ele ande e ande, é só olhar pra trás e lá estará o homem. O homem cujos padrões e autoridade ele reconhece e aceita, e o único para qual ele se curvaria. Pois, fraco é uma coisa que ele não é. Tampouco esse filme.</font></p>
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