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	<title>cineorly &#187; linha de passe</title>
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		<title>Linha de Passe, 2008</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Sep 2008 00:42:02 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[ A tênue linha da invisibilidade social
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<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Quantas são as chances de irmos ao cinema e espiar o dia-a-dia de vidas comuns, ao mesmo tempo em que vemos um painel amplo do país-brasil ser montado com tanta lucidez? Aos menos atentos, <strong>Linha de Passe</strong> pode parecer apenas uma crônica da vida de uma família de 4 irmãos criados pela mãe, que no momento da ação espera a chegada do quinto filho, não sem sofrer a censura dos meninos que obviamente se preocupam com a chegada de mais um que precisará correr atrás de seus sonhos sem nenhuma garantia de que avistará a linha de chegada.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Empenhados por uma vontade iniciada com a parceria de Terra Estrangeira, Walter Salles e Daniela Thomas ciclicamente repensam o Brasil nas suas questões históricas e também nas urgências mais atuais. A consolidação de novos modelos de família e a luta pela sobrevivência diária na metrópole excludente são as mesmas situações que vemos camufladas em novelas das oito onde a mesa do café da manhã dos personagens menos afortunados representa uma fantasia de realidade que ridiculariza mais do que diverte. É bem diferente de vermos Cleuza (Sandra Coverloni) servindo o prato do filho enquanto os dois discutem, a carne chegando ao prato com a mão de raiva da mulher que mata vários leões por dia. Interessante que Sandra tenha ganhado o prêmio de melhor atriz em Cannes já que o verdadeiro personagem da história tem mais quatro pontas além dela, a mãe e seus quatro filhos formando uma unidade familiar contemporânea, ela sim o personagem completo e complexo que vemos ser desenhado nos conflitos individuais de cada um, na luta individual de cada um por pertencimento e aceitação, inserção social, a busca pelas raízes paternas, tudo finalmente entendido como a necessidade de vinculação, essa palavra perdida em cujo sumiço se esconde a depredação das relações humanas.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Desvinculados por vários fatores, seja de ordem social, geográfica ou monetária, Denis (João Baldasserini), Dario (Vinícius de Oliveira), Dinho (José Geraldo Rodrigues) e Reginaldo (Kaique de Jesus Santos, uma revelação e tanto) transitam pela cidade em busca de seus lugares. Nas viagens de Denis em sua moto a câmera e a montagem surpreendem com perspectivas quase verossímeis, e é dele também a cena que mais impressionou, quando ele tira o capacete e pergunta ao interlocutor rico e perdido: Cara, você tá me vendo? A explicitação do drama de ser invisível costurando todas as pontas do filme. Reginaldo, o filho mais novo, se envolve nesse drama ao escolher enxergar o pai em um motorista de ônibus para fugir da visível diferença que o separa dos irmãos pela cor da pele. Dinho prefere a via da resignação religiosa, via essa que não consegue lhe amparar na hora mais difícil de seu personagem. Dario, o orgulho da mãe corintiana não desmerece o nome de craque, mas tem o talento ignorado por uma verdadeira indústria de atletas na qual ele não consegue se encaixar apesar de tudo. Uma boa cena de Dario é a da falsificação da identidade, quando ao câmera foca a carteira sendo copiada e deixa em destaque a imagem do ator Vinícius, que na foto do documento é exatamente aquele garoto que conhecemos em <strong>Central do Brasil</strong>. Uma óbvia e sutil referência.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Congregando os quatro personagens, Cleuza trabalha contra o ritmo em que flui a sua vida com a mesma dificuldade com que lida com uma pia entupida, na árdua tarefa de manter visível a linha que liga cada um dos filhos ao pertencimento de grupo, de família. A simplicidade de sua interpretação sem afetações constrói a verdade fantasiosa de uma mulher real, que mesmo grávida transita por todos os espaços, o trabalho, o bar e o estádio de futebol lotado. E essa mesma gravidez, demonstração de uma vida sexual ativa, é o signo da feminilidade escondida sob a aparência descuidada de quem não tem tempo para vaidades e completa o universo de significações da personagem como mulher-total. E sob essa constatação é que Sandra Coverloni merece destaque pela construção de um personagem redondo que impressiona por quase não parecer um personagem ou parte de algo ficcional.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Os desfechos de cada um dos cinco parecem ressaltar isso, com finais de uma poética da realidade para todos, menos para Cleuza e Denis que são os dois personagens que caracterizam a maturidade em detrimento da juventude presente em Dario, Dinho e Reginaldo. Como se a concretude da vida tivesse tirado de Cleuza e Denis a capacidade de perseguir sonhos, por mais concretos que eles sejam.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Assim a parceira Walter Salles e Daniela Thomas deixa mais uma boa marca no cinema nacional, sem apelar para as velhas armadilhas do pitoresco, criando uma história cuja mensagem é universalmente inteligível. E mais uma vez, salvas a Sandra Coverloni e Kaique de Jesus Santos que formaram a dupla mais entrosada nessa bela linha de passes.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
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