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	<title>cineorly &#187; meu nome é gal</title>
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		<title>A gente se embala se embola simbora!</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Feb 2009 17:11:17 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Os espectadores não assistem ao carnaval, eles o vivem, uma vez que o carnaval pela sua própria natureza existe para todo o povo. Enquanto dura o carnaval, não se conhece outra vida senão a do carnaval. Impossível escapar a ela, pois o carnaval não tem nenhuma fronteira espacial. Durante a realização da festa, só se pode viver de acordo com as suas leis, isto é, as leis da liberdade.&#8221; (Bakhtin, Mikhail. A Cultura Popular na Idade Média e no Renascimento &#8211; O Contexto de François Rabelais. Hucitec, Brasília: 1999. p.6)</p>
<p><em><a title="Oscar de Melhor Figurino: Juno" href="http://cineorly.files.wordpress.com/2009/02/atgaaad9os7zgxus6qb8pjkd8nnvfpstgijkjab-fucsvnoa8mvk4lcvm9ovzi2wzh8yzadxfvcu1xaoz5lmip7dk0iwajtu9vc4nai3svqp4j0wpoaqkuypo4qq3w.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-522" title="oscar de melhor figurino: juno" src="http://cineorly.files.wordpress.com/2009/02/atgaaad9os7zgxus6qb8pjkd8nnvfpstgijkjab-fucsvnoa8mvk4lcvm9ovzi2wzh8yzadxfvcu1xaoz5lmip7dk0iwajtu9vc4nai3svqp4j0wpoaqkuypo4qq3w.jpg?w=225" alt="atgaaad9os7zgxus6qb8pjkd8nnvfpstgijkjab-fucsvnoa8mvk4lcvm9ovzi2wzh8yzadxfvcu1xaoz5lmip7dk0iwajtu9vc4nai3svqp4j0wpoaqkuypo4qq3w" width="183" height="243" /></a></em></p>
<p>Entonces cá estamos de volta a normalidade das ruas da Lapa e seus inferninhos de buzina de engarrafamento, mas esse texto não vem pra ser chorôrô nem pra falar das partes chatas da vida. Ele vem na verdade pra que eu conte o que aprendi sobre as festividades carnavalescas e o carnaval de rua do Rio de Janeiro.</p>
<p>Apesar de já ter lido sobre o carnaval ser aquele momento que antecede a quaresma e existe pra potencialização da relações carnais (em todos os níveis, como numa espécie de morte simbólica através do exagero) para que enfim o corpo possa entrar no processo de depuração necessário para os festejos de páscoa (e ressureição), foi só depois de ler Bahktin e seu estudo sobre François Rabelais e as comemorações populares ocidentais da Idade Média que visualizei a medida de importância desse período que só pode ser apreendido através da palavra exceção. </p>
<p>Quando as noções cíclicas de tempo baseadas nos ciclos naturais de colheita/plantio foram dando lugar à organização social que vemos hoje, o carnaval deixou de ser um período de expurgo e libertação pra encerrar a idéia de desperdício de tempo produtivo. Na Idade Média tudo tinha seu lugar no tempo (a festa e a produção) e &#8220;ao contrário da festa oficial, o carnaval era o triunfo de uma espécie de libertação temporária da verdade dominante e do regime vigente, de abolição provisória de todas as relações hierárquicas, privilégios, regras e tabus. Era a autêntica festa do tempo, a do futuro, das alternancias e renovações. Opunha-se a toda perpetuação, a todo aperfeiçoamento e regulamentação, apontava para um futuro ainda incompleto.&#8221; (p.9) </p>
<p><a title="Anjo negro e uma propaganda da Boa" href="http://cineorly.files.wordpress.com/2009/02/dsc07440.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-517" title="só na boa" src="http://cineorly.files.wordpress.com/2009/02/dsc07440.jpg?w=225" alt="dsc07440" width="183" height="243" /></a></p>
<p>A foto aí em cima ilustra muito pouco da minha curiosa/feliz vivência desse processo de blocos de rua nos bairros do centro e o mais interessante de transitar por estes bairros foi a tranquilidade de se andar pela cidade, com todo mundo conectado à mesma idéia de diversão e gentileza. Usar o transporte público parecia um grande castigo, mas depois de entrar num ônibus você podia se considerar dentro de um bloco desorganizado e rir bastante de todas as grosserias, xingamentos e bêbados. A expressão riso festivo ou carnavalesco em Bakhtin é forjada justamente como a idéia de  uma risada coletiva e não a reação a um fato isolado cômico de sentido individualizado. É nesse riso que as pessoas não apenas se congregam como se divertem juntos no meio da multidão. </p>
<p>Um outro ponto diz respeito ao corpo e a sua &#8216;coletivização&#8217; durante os festejos. Pensando de primeira essa idéia de corpo coletivizado pode ser bastante forte e para os mais pudicos até um pouco pornográfica, mas é a chance de se mostrar aproveitando o calor pra usar roupas menores, fantasiar com o dia-a-dia e somando-se uma linguagem de tipo familiar com apelidos e grosserias não usuais ajudam na trajetória de libertação que o carnaval propõe. Deixando Bakhtin falar, &#8220;no realismo grotesco (isto é, no sistema de imagens da cultura cômica popular), o princípio material e corporal aparece sob a forma universal, festiva e utópica. O cósmico, o social e o corporal estão ligados numa totalidade viva e indivisível. É um conjunto alegre e benfazejo.&#8221; (p.17) </p>
<p><a href="http://cineorly.files.wordpress.com/2009/02/atyaaacrdjupdcebr8aiqpwpj5x8j5wgryksrfuztfa6k01oehdsviyckegyw11y0kt4vr7wvkv5qnn_lzkaguhfa7hbajtu9vaxlpxhfbrqjb9wjeitk8rgkdnhdw.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-521" title="corpo coletivizado (ou pegaeu)" src="http://cineorly.files.wordpress.com/2009/02/atyaaacrdjupdcebr8aiqpwpj5x8j5wgryksrfuztfa6k01oehdsviyckegyw11y0kt4vr7wvkv5qnn_lzkaguhfa7hbajtu9vaxlpxhfbrqjb9wjeitk8rgkdnhdw.jpg?w=300" alt="atyaaacrdjupdcebr8aiqpwpj5x8j5wgryksrfuztfa6k01oehdsviyckegyw11y0kt4vr7wvkv5qnn_lzkaguhfa7hbajtu9vaxlpxhfbrqjb9wjeitk8rgkdnhdw" width="243" height="183" /></a></p>
<p>O sentido do grotesco é falar/positivar os aspectos naturais da vida, as excreções, a sexualidade, o riso e nesse conjunto novamente nos ligar aos velhos orangotangos que todos somos, e deixar um espaço no tempo para que possamos exprimir essas idéias sobre as quais refreamos as expressões quase todos os dias, já que não mantemos relações íntimas com a grande maioria de pessoas com as quais nos relacionamos.</p>
<p>Pra fechar com mais uma citação do mestre, &#8220;o realismo grotesco e a paródia medieval baseiam-se nessas significações absolutas. Rebaixar consiste em aproximar da terra, entrar em comunhão com a terra concebida como princípio de absorção e, ao mesmo tempo, de nascimento: quando se degrada, amortalha-se e semeia-se simultaneamente, mata-se e dá-se a vida em seguida, mais e melhor.&#8221; (p.19)</p>
<p>Enfim, Bakhtin escreveu o que muitos brasileiros antes mesmo de nós já entendiam há tempos: navegar no mar-carnaval é preciso e viver nunca é preciso. </p>
<p>Crédito das fotos <a title="Andergeli" href="http://twitter.com/andercelly" target="_blank">@andercelly</a>, <a title="nanda melonio" href="http://twitter.com/nandamelonio" target="_blank">@nandamelonio.</a></p>
<p>Agradecimentos especiais aos amigos que montaram o bloquinho-do-nós-bem-louco e descendo as ladeiras de Santa Tereza me deixaram com alguns machucados e muita vontade de continuar viva: <a title="Meu Nome é Gal" href="http://meunomeegal.blogspot.com/" target="_blank">Janis</a>, <a title="Cineman" href="http://cineman.blogspot.com/" target="_blank">Samuel</a>, Taci, Sara, Belisário e <a title="5" href="http://twitter.com/cinco" target="_blank">Cincão</a> (do meu coração de melão).</p>
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