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	<title>cineorly &#187; paranoid park</title>
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	<description>na periferia da cinelândia</description>
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		<title>o cinema de john hughes e os anos 80</title>
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		<pubDate>Sun, 23 Aug 2009 17:53:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Depois da morte de John Hughes muita gente parou pra repensar a importância de seus filmes para a cultura pop e a vibe oitentista. Eu que vivi &#8211; como muitos &#8211; as Sessões da Tarde como uma espécie de babá, não poderia deixar de dizer alguma coisa a respeito.Além de se conectar com a sensibilidade [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Depois da morte de <a href="http://www.cineplayers.com/perfil.php?id=11960" target="_blank">John Hughes</a> muita gente parou pra repensar a importância de seus filmes para a cultura pop e a vibe oitentista. Eu que vivi &#8211; como muitos &#8211; as Sessões da Tarde como uma espécie de babá, não poderia deixar de dizer alguma coisa a respeito.Além de se conectar com a sensibilidade dos jovens que viviam a década de 1980, os filmes do diretor influenciaram também uma geração posterior, de gente que hoje tem quase a mesma idade que <a href="http://www.cineplayers.com/filme.php?id=2086" target="_blank">O Clube dos Cinco</a> e seus quase 25 anos de lançamento.</p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-696" title="breakfast_l" src="http://cineorly.info/wp-content/uploads/2009/08/breakfast_l-300x225.jpg" alt="breakfast_l" width="270" height="203" /></p>
<p>Mostrando personagens que trasgrediam as regras e se reiventavam para sobreviver à uma década que recebeu o apelido de &#8220;perdida&#8221;, seria forçado ligar o trabalho de Hughes aos filmes de Gus Van Sant sobre os adolescentes dos anos 2000, como <a href="http://www.cineplayers.com/filme.php?id=818" target="_blank">Elefante</a> e <a href="http://www.cineplayers.com/filme.php?id=3720" target="_blank">Paranoid Park</a>? As precoupações de ambos podem até ser diferentes, já que entre uma e outra geração existe um mar de diferenças, mas a vontade de entender o que queriam e o que estariam pensando os jovens do momento parece conectar o trabalho dos dois diretores.</p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-697" title="prettyinpink1" src="http://cineorly.info/wp-content/uploads/2009/08/prettyinpink1-300x230.jpg" alt="prettyinpink1" width="270" height="207" /></p>
<p>A questão do vazio existencial de uma geração que surgiu na ressaca dos excessos e liberdades das décadas de 1960 e 1970 pode ser representado pela cena do clássico <a href="http://www.cineplayers.com/filme.php?id=969" target="_blank">Curtindo a Vida Adoidado</a> em que Cameron, o amigo de Ferris, diz não saber o que fazer do futuro depois da escola. Em <a href="http://www.imdb.com/title/tt0091790/" target="_blank">A Garota de Rosa Shocking</a> temos uma versão da história em que a gata borralheira sofre preconceitos, preferindo criar os seus prórios figurinos, adquirindo roupas em brechós e usando a criatividade pra atualizar peças fora de moda no esforço para se sobrepôr às diferenças sociais e demonstrar valores que ficaram perdidos em meio à loucura por acúmulo e ostentação, que se tornaram agudas nessa época somente para nos entregar de bandeja mais uma crise mundial, e em pleno 2009 as mocinhas são novamente orientadas a buscarem através do chamado <a href="http://www.portaisdamoda.com.br/noticiaInt~id~19089~n~moda+hilo.htm" target="_blank">Hi-Lo</a> manterem a critividade acesa através das roupas, das sobreposições e das visitas à brechós.</p>
<p>Se as crises ecônomicas são cíclicas e o cinema também é espaço pra se pensar os jovens de uma época, a cultura pop vai traçando assim as linhas da sua história ao mesmo tempo em que acompanha a história da sociedade ocidental capitalista, porque como diria o Ferris Bueller: o que adianta saber sobre socialismo se isso não vai me fazer ter um carro, não é?</p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-698" title="bueller_l" src="http://cineorly.info/wp-content/uploads/2009/08/bueller_l-225x300.jpg" alt="bueller_l" width="225" height="300" /></p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-</p>
<p>Horas depois de escrever esse texto, reassisti o Clube dos Cinco e fiquei pensando sobre a fabricação dos estereótipos &#8211; que é um dos focos do filme &#8211; e de como é difícil tanto fugir deles quanto aceitá-los. Ainda nessa mesma linha, ontem li dois textos na Revista Piauí escritos por Ralph Steadman &#8211; desenhista que trabalhou com Hunter Thompson durante muito tempo &#8211; nos quais ele vai <a href="http://www.revistapiaui.com.br/edicao_20/artigo_603/Delirio_da_era_Gonzo.aspx" target="_blank">construindo</a>/<a href="http://www.revistapiaui.com.br/edicao_21/artigo_636/A_brincadeira_acabou.aspx" target="_blank">destruindo</a> a imagem do escritor a medida que se aproxima dele, o que é o mesmo exercício que os cinco personagens do filme fazem durante as oito horas em que ficam juntos naquele castigo coletivo.</p>
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		<title>Paranoid Park, 2007</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Jan 2008 13:54:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[críticas]]></category>
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		<description><![CDATA[Gus Van Sant continua tentando entender os jovens de agora através de seus silêncios.
 
Como pessoa que pensa e, logo, existe, pensei dia desses sobre a utilidade social do cinema ou a importância dessa ferramenta para além do entretenimento. A conclusão a qual cheguei pode ser senso comum e já ter sido escrita em diversos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><em>Gus Van Sant continua tentando entender os jovens de agora através de seus silêncios.</em></p>
<p class="MsoNormal"><em> </em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Como pessoa que pensa e, logo, existe, pensei dia desses sobre a utilidade social do cinema ou a importância dessa ferramenta para além do entretenimento. A conclusão a qual cheguei pode ser senso comum e já ter sido escrita em diversos livros e ensaios, mas até aquele momento de minha vida foi a primeira vez que ela me surgiu, assim, tão claramente. As ciências humanas são inevitavelmente subjetivas pela própria constituição do objeto que pretende investigar e não há maneira de retirar-se um pedaço da epiderme social e analisá-la ao microscópio, há? Ok, mas o que isso tem a ver com <strong>Paranoid Park</strong>? Só mais um parágrafo e vocês irão entender.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">O cinema consegue capturar pedaços da realidade – mesmo que seja uma realidade forjada, teatral – e sentar na sala escura e deixar-se absorver por aquelas imagens é como olhar partes do real através de um filtro menor,um microscópio talvez; é a chance de refletir a respeito daquele tema estando de fora daquela ação, mantendo assim um distanciamento sadio entre observador e observado. É claro, nem todo o cinema é assim, nem todos os filmes se propõem uma pergunta a ser respondida a partir da reflexão sobre sua história. Mas Paranoid Park também não é uma simples peça de entretenimento.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Colocados lado a lado, <strong>Elefante</strong> e Paranoid Park parecem pertencer a um mesmo universo temático: o que há de errado com a juventude norte-americana de agora? E nisso alguns filmes de Harmony Korine &#8211; como <strong>Kids</strong> e <strong>Gummo</strong> – podem ser catalogados com a mesma etiqueta. E pelo que consigo extrair desses quatro filmes, há vários motivos pra se preocupar, até porque há décadas essa mesma juventude dos EUA tem servido de modelo para todo jovem com acesso a televisão, internet e cinema.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Alex (Gabe Nevins) tem 16 anos e vive num subúrbio próximo a Nova Yorque. Seus pais estão em processo de separação e ele precisa demonstrar tranqüilidade quanto a isso, diferentemente de seu irmão de 13 anos que parece não estar suportando a situação. Ter uma linda namorada que é líder de torcida (Taylor Momsen) ao invés de ser o ponto positivo na vida dele, demonstra-se como mais um problema. Andar de skate é sua válvula de escape. Tanto dele como de muitos outros garotos e garotas. Alguns deles chegam a criar um pequeno e ilegal paraíso do skate, o Paranoid Park. Perto das linhas de trem, num espaço com tubos e armações de concreto abandonados, eles montam um espaço que pode ser bem entendido se levarmos em conta o conceito de TAZ – ou Zona Autônoma Temporária – criado por Hakim Bey:<span> </span>um lugar com propósito definido e com leis próprias. Leis essas que não estão catalogadas no código penal ou civil. Leis feitas e válidas apenas dentro dos limites do parque.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">É preciso mais que habilidade para pertencer ao grupo dos freqüentadores assíduos do parque; é preciso uma atitude que beira o niilismo. E isso agrada Alex, que timidamente começa a dispensar programas com a namorada e até com o melhor amigo, Jared (Jake Miller), para tentar pertencer àquele lugar. E é nesse processo que se amarra o maior nó da trama.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Gus Van Sant pega um caminho pouco convencional para contar a história de Paranoid, pois além de embaralhar a linha temporal da trama colocando o começo no meio e mostrando no final aquilo que provavelmente ficaria<span> </span>por conta de nossa imaginação, ele quebra a lógica do suspense comum desvendando o grande mistério muito antes do fim. E põe a responsabilidade disso no personagem/narrador, que vai contando o que aconteceu da maneira que vai lembrando.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Ponto interessante também é como ‘ouvir’ a história sendo contada através de um narrador que pouco fala e que resolve escrever o que aconteceu, sendo que Van Sant não se utiliza daquela saída fácil de pôr a voz do narrador em off pra nos contar o que está sendo escrito. Alex escreve e nós nunca leremos sua carta e tampouco saberemos realmente o que se passou. O que temos são as imagens (material por excelência do cinema?). Nesse caso, o que as imagens sugerem são apenas uma parte do que aconteceu.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Algumas cenas chamam a atenção, como quando Alex vem andando na ponte e ouvimos as várias vozes que saem dele num momento de desespero e por alguns segundos ficamos confusos tentando entender com quem ele está falando ou quem está falando com ele. Os rolês de skate dentro e fora do parque embelezam-se pela utilização da câmera lenta ou pela idéia de terem sido gravadas por câmeras caseiras, com os garotos agindo tão naturalmente quanto possível. Legal também foi reconhecer num diálogo entre Alex e seu irmãozinho que eles conversam sobre cenas de <strong>Napoleon Dynamite</strong>, um filme que através da sátira critica o mesmo vazio da juventude norte-americana que Gus parece querer entender. Bom também é reconhecer a boa mão de Van Sant com sua inconfundível sensibilidade em dirigir uma película.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Paranoid Park se constitui como crítica de viés mais reflexivo e nem por isso se esquece da estética cinematográfica em detrimento do discurso. Une as duas questões de maneira competente.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Encerro por aqui a minha análise para não estragar a surpresa de assistir ao filme e reconhecer esses pontos que apontei, além de muitos outros que me escaparam. Uma estória que emociona porque parece tão próxima que é quase possível tocá-la. Ali na esquina. Na casa ao lado. Na escola do bairro. Na televisão, na internet e no cinema.</p>
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		<title>férias na periferia</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Jan 2008 01:17:18 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[como vocês perceberam o cine orly estará desatualizado até que as férias na periferia acabem.
por enquanto é bom dizer que 2008 começou com Paranoid Park que deixou uma forte impressão nas retinas de orly.
ahora, voltemos ao sol, à laje, e à cerveja!

hasta luego, hermanos!
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>como vocês perceberam o cine orly estará desatualizado até que as férias na periferia acabem.</p>
<p>por enquanto é bom dizer que 2008 começou com <a href="http://www.imdb.com/title/tt0842929/">Paranoid Park</a> que deixou uma forte impressão nas retinas de orly.</p>
<p>ahora, voltemos ao sol, à laje, e à cerveja!</p>
<p><a href="http://cineorly.files.wordpress.com/2008/01/imagem-166.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-534" title="imagem-166" src="http://cineorly.files.wordpress.com/2008/01/imagem-166.jpg?w=300" alt="imagem-166" width="270" height="203" /></a></p>
<p>hasta luego, hermanos!</p>
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