10 de agosto 2009 · Tags:a assassina vingativa, aleijada hipócrita, bêbado gonzo, cinema barato, leona, michel gondry, o protocolo de rebobine por favor, protocolo gondry, rebobine por favor - a exposição
Finalmente é hora de tirar a exposição Rebobine, Por Favor do quadro ali ao lado que indica o filme da semana. A exposição acabou e com isso prometo tirar o Gondry dos temas recorrentes desse blog. Mas antes, terminemos o raciocínio sobre a interessância do protocolo criado por ele e usado como ferramenta na exposição.
Me inscrevi no workshop pra vivenciar o processo e agora, passadas muitas semanas da experiência, deu pra sacar que as regras funcionam como um tratamento de choque: você está naquela sala com mais 12 pessoas estranhas e tem uma hora cronometrada pra seguir os procedimentos de criação. Depois, mais uma hora pra fazer as idéias acontecerem. E as coisas acontecem mesmo de supetão, as idéias vão se misturando ao mesmo tempo em que vão sendo moldadas pra parecerem uma narrativa. De repente já estamos com a câmera na mão, as coisas dando erradas e a capacidade de improsivo (e paciência com o próximo) sendo testada. Quando menos se espera, já estamos na sala de exibição vendo o filme, rindo dos erros e gostando dos acertos, relembrando a experiência vivida há 5 minutos.
Tão curta quanto o parágrafo acima é essa vivência cinematográfica proposta por Gondry que a mim serviu pra pensar que fazer cinema é fácil e divertido. E sim, este blog considera que mesmo estes “filmetes” despretensiosos sejam cinema. Tudo bem se você disser que é outro cinema e não aquele com o qual a indústria cultural nos alimentou e nos engordou a ponto de sermos intolerantes com essa mudança que as câmeras digitais e o youtube trouxeram – e aliás, as redes sociais em geral -, e com o fato de que as classes C e D estejam usando seus crediários nas Casas Bahia pra comprar computadores em 12 parcelas e, pasmem!, estejam aprendendo a se divertir com eles.
Ontem conheci Leona, A Assassina Vingativa (se você não conhece Leona, clique aqui: parte um e dois) e complementando o que disse o Bêbado Gonzo sobre o caso, dá pra perceber que a saga de Leona foi livremente inspirada nas aguardadas brigas entre as protagonistas de novelas das oito, sem nenhum compromisso com a realidade,e muita criatividade. Dá pra perceber a evolução e vontade dos caras através das pequenas mudanças na “direção de arte” do primeiro pro segundo episódio e a equipe deu até entrevista prum jornal, sabia?
Você, amigo cinéfilo, pode dizer que eu to inventando e que esqueci meu cérebro em algum lugar fora da cabeça, mas se teve paciência pra chegar nesse parágrafo vai acompanhar meu raciocínio seguindo daqui pra uma pergunta interessante: será que a popularização da internet servirá pra que as pessoas das classes mais baixas possam realizar produtos culturais que falem delas para elas mesmas? É, porque sem querer esculhambar com o cinema assim, âmbito geral, existem muitas pessoas que não se vêem representadas nas telonas. Gente real, que assiste TV, compra computadores em parcelas, e gosta de cinema também.
Quem quiser dar uma olhada nos quadros usados como referência no workshop de Rebobine, Por Favor, clica aqui pra se inspirar e chamar os amigos pra fazer um filminho no próximo finde.
http://www.youtube.com/watch?v=ACXFHGanR7w&
1 de junho 2009 · Tags:michel gondry, o protocolo de rebobine por favor, protocolo gondry, rebobine por favor, rebobine por favor - a exposição
Pra quem ainda não sabe a Rebobine, Por Favor – A Exposição já tem data marcada (e próxima)pra aportar no Rio de Janeiro: o próximo dia 09. Será um mês de exposição acompanhada de uma mostra de filmes com programação ainda não confirmada e com a presença de Michel Gondry. A entrada é gratuita e o bônus é poder se inscrever através do site oficial ou diretamente no CCBB para poder usar os 13 cenários e gravar um filme utilizando o material à disposição. É bom levar o roteiro preparado: A edição precisa ser feita na própria câmera e sua equipe tem cerca de 20 minutos para realizar todo o processo.
Deixando de lado o tom “utilidade pública” retomemos uns pontos que já foram debatidos por aqui e o motivo da real empolgação com a iniciativa de Gondry,amarrando algumas idéias que não estavam muito claras quando surgiu aqui a primeira tentativa de entender o Protocolo de Rebobine, Por Favor agora chamado de Protocolo Gondry: A possibilidade de desmistificar a prática cinematográfica do processo industrial. Relatando a experiência na direção de seu último longa, e desmembrando o trabalho num livro e numa exposição, o diretor francês põe em discussão a possibilidade de se fazer cinema em grupo e com poucos recursos, abrindo mão da concentração de poderes do diretor clássico, delegando a um grupo a força criativa de um filme e, reiterando, o contato de pessoas comuns com a prática audiovisual, fato que vem nos instigando a participar de oficinas de – chamemos assim – contato com o audiovisual. Já foram duas as minhas experiências com esse tipo de oficina cujo espírito é menos o de formar um cineasta do que o de promover a experimentação do fazer fílmico.
Depois de um tempo escrevendo críticas cinematográficas e tentando me enquadrar no modelo desse tipo de textos, percebi que meu raciocínio pendia mais para o que se poderia chamar de uma linha antropológica de entendimento dos filmes, questionando tanto técnica quanto conteúdo em um sentido mais amplo, ligado à sensibilidade e o vigor da mensagem final. E nesse ponto as oficinas foram importantes porque me levaram a compreender que estar inserido no que hoje parece ser a esfera do debate e da sociabilidade é também conhecer o funcionamento da indústria midiática , desmitificando (novamente esta palavra) a sensação de estarmos diante de produtos que foram feitos por ninguém, sem que se saiba exatamente como ou com que intenção, simplesmente porque não somos levados a encarar os filmes (e as novelas, os telejornais, as propagandas, etc) dessa maneira.
Quando Gondry, diretor consagrado, propõe uma discussão ao mesmo tempo prática e lúdica sobre a produção cinematográfica barata e envolvendo pessoas comuns, ou seja, que não fazem parte da massa que produz cinema abre-se uma brecha para pensarmos os filmes para além de seu caráter de entretenimento e também como a conquista de um espaço de fala, como acontece ao final de Rebobine, Por Favor –O Filme quando todo bairro onde se localiza a locadora do senhor Fletcher se envolve na produção de um filme que mostrará a história da comunidade recriada a partir das escolhas dos próprios moradores.
É bom que se diga que este bloguinho não faz apologia ao extermínio dos filmes comerciais (até porque Rebobine é um deles, assim como muitos outros de que gostamos) e tampouco esperamos que o cinema transforme-se apenas numa ferramenta para reflexão de coisas profundas e sérias. Queremos apenas que ele seja algo mais cotidiano, tipo, de se comer com farinha enquanto se debate com os amigos sobre como fazê-lo.
Pra quem ainda não sabe a Rebobine, Por Favor – A Exposição já tem data marcada (e próxima) para aportar no Rio de Janeiro: o próximo dia 09. Será um mês de exposição acompanhada de uma mostra de filmes com programação ainda não confirmada e com a presença de Michel Gondry. A entrada é gratuita e o bônus é poder se inscrever através do site oficial ou diretamente no CCBB para poder usar os 13 cenários e gravar um filme utilizando o material à disposição. É bom levar o roteiro preparado: A edição precisa ser feita na própria câmera e sua equipe tem cerca de 20 minutos para realizar todo o processo.
Deixando de lado o tom “utilidade pública” retomemos uns pontos que já foram debatidos por aqui e o motivo da real empolgação com a iniciativa de Gondry,amarrando algumas idéias que não estavam muito claras quando surgiu aqui a primeira tentativa de entender o Protocolo de Rebobine, Por Favor agora chamado de Protocolo Gondry: A possibilidade de desmistificar a prática cinematográfica do processo industrial. Relatando a experiência na direção de seu último longa, e desmembrando o trabalho num livro e numa exposição, o diretor francês põe em discussão a possibilidade de se fazer cinema em grupo e com poucos recursos, abrindo mão da concentração de poderes do diretor clássico, delegando a um grupo a força criativa de um filme e, reiterando, o contato de pessoas comuns com a prática audiovisual, fato que vem nos instigando a participar de oficinas de – chamemos assim – contato com o audiovisual. Já foram duas as minhas experiências com esse tipo de oficina cujo espírito é menos o de formar um cineasta do que o de promover a experimentação do fazer fílmico.
Depois de um tempo escrevendo críticas cinematográficas e tentando me enquadrar no modelo desse tipo de textos, percebi que meu raciocínio pendia mais para o que se poderia chamar de uma linha antropológica de entendimento dos filmes, questionando tanto técnica quanto conteúdo em um sentido mais amplo, ligado à sensibilidade e o vigor da mensagem final. E nesse ponto as oficinas foram importantes porque me levaram a compreender que estar inserido no que hoje parece ser a esfera do debate e da sociabilidade é também conhecer o funcionamento da indústria midiática , desmitificando (novamente esta palavra) a sensação de estarmos diante de produtos que foram feitos por ninguém, sem que se saiba exatamente como ou com que intenção, simplesmente porque não somos levados a encarar os filmes (e as novelas, os telejornais, as propagandas, etc) dessa maneira.
Quando Gondry, diretor consagrado, propõe uma discussão ao mesmo tempo prática e lúdica sobre a produção cinematográfica barata e envolvendo pessoas comuns, ou seja, que não fazem parte da massa que produz cinema abre-se uma brecha para pensarmos os filmes para além de seu caráter de entretenimento e também como a conquista de um espaço de fala, como acontece ao final de Rebobine, Por Favor –O Filme quando todo bairro onde se localiza a locadora do senhor Fletcher se envolve na produção de um filme que mostrará a história da comunidade recriada a partir das escolhas dos próprios moradores.
É bom que se diga que este bloguinho não faz apologia ao extermínio dos filmes comerciais (até porque Rebobine é um deles, assim como muitos outros de que gostamos) e tampouco esperamos que o cinema transforme-se apenas numa ferramenta para reflexão de coisas profundas e sérias. Queremos apenas que ele seja algo mais cotidiano, tipo, de se comer com farinha enquanto se debate com os amigos sobre como fazê-lo mesmo sem dinheiro.