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	<title>cineorly &#187; serge gruzinski</title>
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	<description>na periferia da cinelândia</description>
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		<title>Uma experiência cinematográfica diferente/Hélio Oiticica</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Feb 2009 03:08:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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Nas férias de dezembro fui ao museu, prometi que escreveria e até esqueci. Mas relendo hoje O Pensamento Mestiço, do historiador Serge Gruzinski, lá pelas tantas acabei dando de cara com uma citação sobre o trabalho de Hélio Oiticica, justamente sobre a obra Tropicália, aquela mesma que nomeou – muito corretamente – o movimento musical [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-medium wp-image-437" title="a_pureza_eh_um_mito" src="http://cineorly.files.wordpress.com/2009/02/a_pureza_eh_um_mito.jpg?w=300" alt="a_pureza_eh_um_mito" width="270" height="228" /></p>
<p>Nas férias de dezembro fui ao museu, prometi que escreveria e até esqueci. Mas relendo hoje <strong>O Pensamento Mestiço</strong>, do historiador Serge Gruzinski, lá pelas tantas acabei dando de cara com uma citação sobre o trabalho de <a title="sobre oiticica" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/H%C3%A9lio_Oiticica" target="_blank">Hélio Oiticica</a>, justamente <a title="sobre a tropicália" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Tropic%C3%A1lia" target="_blank">sobre a obra Tropicália, aquela mesma que nomeou – muito corretamente – o movimento musical que colocou Caetano, Mutantes, Tom Zé e Rogério Duprat encantando muitas cabeças por aí, inclusive a minha.</a></p>
<p>Vou deixar que o Gruzinski fale da sua experiência sobre a obra do Oiticica, vivida por ele em 1997, na Alemanha:</p>
<p>“A exposição da Documenta X apresenta outras obras também ligadas ao Brasil. Ao lado de Lothar Baumgarten [fotografo alemão], propunha uma retrospectiva da obra de Hélio Oiticica, cuja produção dos anos 60 se liga às preocupações do movimento ‘antropofágico’. Para essa corrente modernista dos anos 20 – a que se vincula Mário de Andrade -, cabe ao homem colonizado – aqui, ao artista brasileiro – digerir a cultura do colonizador para melhor fundi-la com as culturas nativas. Partindo desses princípios, Oiticica recuperava e reciclava materiais populares para decapá-los de seu verniz exótico ou folclórico e conferir-lhes um alcance universal. [...] Em Tropicália, labirinto montado em 1967, Oiticica encena as divergências e dualidades da sociedade brasileira, produzindo uma indeterminação que impede que o sentido se fixe: suas imagens fragmentárias escapam às recuperações do consumo e do mercado.”</p>
<p>Dez anos depois foi minha vez: a experiência de penetrar a Tropicália – e digo isso quase sem exagero –  na exposição que o MAM/RJ fez em comemoração aos 40 anos do movimento. Lá, além de várias obras da <a title="sobre a dona lygia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Lygia_Clark" target="_blank">Lygia Clark</a> expuseram também uma versão da obra Tropicália. E foi lá que conheci os penetráveis do seu Hélio, com seus ambientes de texturas experimentáveis e pisáveis. E entender as idéias que se passavam lá nos idos de 1960 finalmente se tornou uma experiência palpável, de pegar com a mão mesmo. E foi exatamente como disse num texto que escrevi na época: <a title="texto antigo, blog antigo" href="http://istonaoestaacontecendo.blogspot.com/2007/08/um-dia-no-museu.html" target="_blank">“vc ouve falar dessas obras e desses artistas, tipo oiticica e lygia clark e mesmo assim sobra um vazio de entendimento pra completar o significado inteiro. ontem lá no mam eu consegui entender algumas coisas.”</a></p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-438" title="dsc00189" src="http://cineorly.files.wordpress.com/2009/02/dsc00189.jpg?w=300" alt="dsc00189" width="270" height="203" /></p>
<p>Dois anos depois dessa experiência, vagando pelo centro da cidade, dei de cara com o <strong>Centro de Arte Hélio Oiticica </strong>com as portas abertas. No catálogo da exposição <strong>Penetráveis</strong> é possível descobrir que as obras recebem esse nome porque são estruturas físicas realmente penetráveis com o intuito de explorar a idéia de espectador-participante, sendo você convidado a adentrar aquela estrutura, de corpo inteiro, para pensar sobre muitas coisas, inclusive sobre as idéias de cor e espaço.</p>
<p>Sobre a sensorialidade ligada às obras o catálogo diz ainda que “em sua riquíssima operação artística, somatória e agregadora de conceitos e valores, Tropicália sinalizaria para Oiticica mais possibilidades ambientais e a sua chegada à idéia do supra-sensorial que condensaria para a arte a conjugação de estética, vida e mito.”</p>
<p>Amiguinho, sei que você pode tá achando essa conversa de estética/vida/mito um papo pra lá de marrakech, mas vou te contar uma historinha bem simples sobre esse dia no museu do seu Hélio que vai te fazer repensar sobre o tamanho e autenticidade dessa viagem: tava eu perdida num complexo de penetráveis chamado Éden, quando de repente tinha ali mais uma daquelas casinhas entráveis. Abri a cortina de plástico e pensei ‘mas não tem nada nessa casinha’. Então resolvi me fechar lá dentro e ver o que rolava. Tudo escuro e um chão cheio de folhas ainda vivas. Respirei. O cheiro de mato recém cortado subiu e a sensação das folhas nos pés me levou dali pro sítio do tio em que eu passava férias quando era moleca. Pisar o passado, sabe como? Ali comunguei com seu Hélio: estética, mito, passado, vida, tudo junto numa casinha de madeira dentro de um museu.</p>
<p>Enfim, recomendo a experiência pra quem vier ao Rio de Janeiro. <a title="endereço do museu" href="http://www.centrodacidade.com.br/cultura/Textos/cahoiticica.htm" target="_blank">É de graça</a>, é bonito, é arte e não se esqueça: vá direto ao terceiro andar e venha descendo. No térreo, depois de sujar muito os pés [e a cabeça], os curadores instalaram Rijanviera, onde se caminha por um rio artificial de água gelada e pode-se então calçar os sapatos de novo e sair na rua bem diferente de quando se entrou.</p>
<p>P.S.: em algum lugar do catálogo se lê que o Oiticica queria criar obras ‘quase-cinema’&#8230;</p>
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