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na periferia da cinelândia

Festival do Rio 2009, post 2

Em Viajo porque preciso, volto porque te amo – de Karim Ainouz e Marcelo Gomes –  um geólogo vai nos contando sua viagem de trabalho como num diário. Pensamentos sobre amor, saudade, trabalho, pessoas que ele vai encontrando pelo caminho se misturam a fotografias e alguns trechos em super 8. Resolvi então transcrever aqui as anotações que fiz sobre o filme no caderninho que levo comigo durante o festival, que é como um diário também. Minhas anotações, diferentes das do geólogo, são pra não me confundir e misturar filmes.

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Viajo porque preciso, volto porque te amo

O filme como o diário de viagem de um geólogo.
As músicas que ele escuta durante a viaem são bem populares, tipo Peninha. Ele não cansa das frases de amor pra uma tal galega.
O título vem de um cartaz num banheiro de beira de estrada que ele diz ter achado meio hippie.
Alguns trechos em super 8. Parece até diário de viagem de um antropólogo.
Estrada, estrada, estrada. Alguns trechos super 8.
Divagações sobre o amor, os objetos de trabalho e os moradores locais.
Todo um idioma técnico sobre formações de pedras, pesquisa de campo.
Muitas cenas sobre o cotidiano arrastado do interior do nordeste. Arrastado porque parece que caminha devagar. Monotonia de olhar a estrada.
“Um por do sol romântico”: uma carta de amor narrada.
Uma procissão atravessa o diário.
Será um estudo do Ainouz e do Gomes sobre as cores e a vida no nordeste? Tem muita gente saindo da sala. Lembrei bastante do Céu de Suely.
Bonita frase: “tomar nota das fraturas geológicas: a repetição confirma a monotonia da paisagem”. Tudo é monotonia na paisagem humana que ele descreve.
No roteiro dizem que a galega dele é botânica pra que o universo feminino fique representado pelas flores, enquanto o homem-narrador é um geólogo que só entende de pedras?
No quarto em Caruaru borraram a imagem pra salvar as cores?
Ele cai na real de que levou um pé na bunda e não tem ninguém pra quem escrever uma carta. “Gotas de orvalho em flores de plástico”: findou-se o amor.
A imagem da mulher aparando com a tesoura umas flores de tecido. Cada pessoa fazendo suas coisas sem desconfiar de como aquilo é especial. Adorei o jeito como ela pega na tesoura e joga as sobras do tecido fora. As unhas pintadas há muito tempo, o esmalte velho.
A trilha sonora de clássicos bregas populares. Sempre que as músicas chegam no refrão são cortadas. Se não fosse assim, acho que o cinema inteiro cantaria. Tipo catarse.
Pensei agora que já vi uns três filmes nesse festival que falam da “falta que nos move”. Esse também é assim.
Fotografias, entrevistas, meio documentário.
Que cena bonita: um casal dançando no salão com um bebezinho pequeno entre eles. Depois um plano médio com a mãe mostrando o bebê pra gente.
Cinema é um negócio que fala de que? Qu’est-ce que le cinema? Do que é que eles estão falando nesse filme?
Sentei no chão da escada de onde vejo a tela um pedacinho cortada. Agora o sapateiro canta o que parece uma música do Nelson Gonçalves e foi divertido ver da minha perspectiva: o senhor sapateiro cantando e dividindo meu ângulo de visão com aquele lustre pomposo do Odeon.
O monumento com a frase “homenagem do povo do século XIX ao povo do século XX”. Genial.
Acabou a exibição.A metáfora pra mergulhar na vida podia ser menos óbvia. O que fica é que vou pintar numa camiseta a frase: “Eu quero uma vida-lazer”. Tsc, que nada! Alguém vai fazer isso antes de mim, com certeza.

O filme como o diário de viagem de um geólogo.

As músicas que ele escuta durante a viagem são bem populares, tipo Peninha. Ele não cansa das frases de amor pra uma tal galega.

O título vem de um cartaz num banheiro de beira de estrada que ele diz ter achado meio hippie.

Alguns trechos em super 8. Parece até diário de viagem de um antropólogo.

Estrada, estrada, estrada. Alguns trechos super 8.

Divagações sobre o amor, os objetos de trabalho e os moradores locais.

Todo um idioma técnico sobre formações de pedras, pesquisa de campo.

Muitas cenas sobre o cotidiano arrastado do interior do nordeste. Arrastado porque parece que caminha devagar. Monotonia de olhar a estrada.

“Um por do sol romântico”: uma carta de amor narrada.

Uma procissão atravessa o diário.

Será um estudo do Ainouz e do Gomes sobre as cores e a vida no nordeste?. Lembrei bastante do Céu de Suely.

Tem muita gente saindo da sala.

Bonita frase: “tomar nota das fraturas geológicas: a repetição confirma a monotonia da paisagem”. Tudo é monotonia na paisagem humana que ele descreve.

No roteiro dizem que a galega dele é botânica pra que o universo feminino fique representado pelas flores, enquanto o homem-narrador é um geólogo que só entende de pedras?

No quarto em Caruaru borraram a imagem pra salvar as cores?

Ele cai na real de que levou um pé na bunda e não tem ninguém pra quem escrever uma carta. “Gotas de orvalho em flores de plástico”: findou-se o amor.

A imagem da mulher aparando com a tesoura umas flores de tecido. Cada pessoa fazendo suas coisas sem desconfiar de como aquilo é especial. Adorei o jeito como ela pega na tesoura e joga as sobras do tecido fora. As unhas pintadas há muito tempo, o esmalte velho.

A trilha sonora de clássicos bregas populares. Sempre que as músicas chegam no refrão são cortadas. Se não fosse assim, acho que o cinema inteiro cantaria. Tipo catarse.

Pensei agora que já vi uns três filmes nesse festival que falam da “falta que nos move”. Esse também é assim.

Fotografias, entrevistas, meio documentário.

Que cena bonita: um casal dançando no salão com um bebezinho pequeno entre eles. Depois um plano médio com a mãe mostrando o bebê pra gente.

Cinema é um negócio que fala de que? Qu’est-ce que le cinema? Do que é que eles estão falando nesse filme?

Sentei numa das escadas do balcão de onde vejo a tela um pedacinho cortada. Agora o sapateiro canta o que parece uma música do Nelson Gonçalves e foi divertido ver da minha perspectiva: o senhor sapateiro cantando e dividindo meu ângulo de visão com aquele lustre pomposo do Odeon.

O monumento com a frase “homenagem do povo do século XIX ao povo do século XX”. Genial.

Acabou a exibição. A metáfora pra mergulhar na vida podia ter sido menos óbvia. O que fica é que vou pintar numa camiseta a frase: “Eu quero uma vida-lazer”. Tsc, que nada! Alguém vai fazer isso antes de mim, com certeza.

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